Taxa da seca pode voltar a ser cobrada no Amazonas em setembro

0 0

Sobretaxa aplicada ao transporte de cargas pode superar R$ 9 mil por contêiner e afetar custos de produtos e insumos no estado

Manaus – A chamada “taxa da seca” pode voltar a ser cobrada no Amazonas a partir de setembro, diante da possibilidade de redução da navegabilidade dos rios durante o período de estiagem. A sobretaxa, aplicada por empresas de navegação para compensar custos operacionais adicionais, já provoca reação de representantes do setor produtivo do estado.

Foto: Divulgação

O transporte fluvial tem papel central na movimentação de mercadorias no Amazonas. Durante a vazante, a redução do nível dos rios pode limitar a capacidade de carga das embarcações e aumentar os custos das operações logísticas.

A cobrança ganhou destaque em 2023, durante uma das estiagens mais severas registradas no estado. Para 2026, diante das projeções para o período de seca, empresas de navegação já comunicaram a intenção de retomar a cobrança a partir de 5 de setembro.

A Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) estabelece regras para a aplicação desse tipo de cobrança. Entre as exigências está a necessidade de comunicação prévia aos clientes, com antecedência mínima de 30 dias.

Dependendo da empresa responsável pelo transporte e do tipo de carga, o custo adicional pode ultrapassar R$ 9 mil por contêiner. A medida pode atingir operações de importação e exportação com origem ou destino em Manaus, além de empresas instaladas na Zona Franca de Manaus, que dependem da logística fluvial para o transporte de insumos e mercadorias.

Setor comercial aponta impacto nos preços

O presidente da Associação Comercial do Amazonas (ACA), Bruno Loureiro, afirma que empresas do setor já receberam notificações sobre custos extras próximos de US$ 2 mil por contêiner caso o cenário de estiagem previsto para 2026 se confirme.

Segundo Loureiro, o aumento dos custos de frete pode ter reflexos nos preços cobrados ao consumidor, principalmente caso os estabelecimentos comerciais não consigam absorver integralmente as despesas adicionais.

A avaliação da ACA é de que um eventual repasse dos custos para os preços pode reduzir o poder de compra dos consumidores, uma vez que o aumento das despesas com transporte não é acompanhado necessariamente por reajustes na renda.

A entidade tem se manifestado contra a aplicação indiscriminada da sobretaxa e defende que eventuais cobranças adicionais sejam justificadas pelas condições efetivamente enfrentadas pelas operações de navegação.

A preocupação do setor é que a combinação entre estiagem e aumento dos custos logísticos encareça o transporte de insumos e mercadorias e tenha reflexos nos preços finais praticados no Amazonas.

DIVULGUE

SAIBA MAIS

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *