Segundo a Polícia Civil, militares atuavam no núcleo financeiro de organizações criminosas envolvidas em extorsão, lavagem de dinheiro e crimes violentos
Dois policiais militares do Amazonas foram presos nesta quarta-feira (20) durante uma operação da Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) que investiga a atuação de grupos criminosos ligados à agiotagem violenta e lavagem de dinheiro em Manaus. As identidades dos agentes não foram divulgadas pelas autoridades.

Foto: Divulgação
De acordo com o delegado Fernando Bezerra, os policiais desempenhavam funções estratégicas dentro da estrutura criminosa e eram responsáveis pelo núcleo financeiro da organização.
A operação, coordenada pela Delegacia Geral (DG), teve como alvo duas organizações criminosas que atuavam na capital amazonense. Ao todo, foram cumpridos 20 dos 26 mandados de prisão preventiva e 31 mandados de busca e apreensão domiciliar.
A ação contou com apoio da Polícia Militar e da Secretaria Executiva Adjunta de Operações (Seaop). Durante a ofensiva, também foram sequestrados 42 veículos e sete imóveis, além do bloqueio de contas bancárias e da suspensão das atividades de sete empresas suspeitas de serem utilizadas para lavagem de dinheiro.
Segundo as investigações conduzidas pelo 20º Distrito Integrado de Polícia (DIP), os grupos são investigados por crimes como agiotagem, extorsão, homicídios, aborto e lavagem de capitais. Conforme explicou o delegado Fernando Bezerra, a estrutura criminosa incluía lideranças, cobradores, responsáveis pela logística de armas e veículos, além de integrantes encarregados de aplicar juros abusivos às vítimas.

Foto: Divulgação
As investigações apontam que uma das organizações movimentou mais de R$ 24 milhões por meio de empréstimos ilegais. Clientes inadimplentes eram submetidos a ameaças, agressões, tortura, cárcere privado, sequestros e até assassinatos.
Entre os casos apurados pela polícia está o de uma mulher que teria sido sequestrada por integrantes da quadrilha durante uma cobrança. Ela permaneceu em cárcere privado por cerca de dez dias em um imóvel usado como base do grupo criminoso e, segundo relatos presentes no inquérito, perdeu o bebê que esperava durante o período.
Ainda conforme a Polícia Civil, o esquema de lavagem de dinheiro operava também em outros estados, como Roraima, Paraíba e Santa Catarina. Os suspeitos presos foram encaminhados para a sede da Delegacia-Geral, no bairro Dom Pedro, em Manaus. A polícia aguarda a quebra de sigilo bancário para aprofundar as investigações e calcular os valores movimentados pelo segundo grupo criminoso.

