O grande destaque da noite é o documentário sobre Etelvina de Alencar, jovem assassinada em 1901 na antiga Colônia Campos Sales
Manaus – O Cemitério São João Batista, localizado na zona centro-sul de Manaus, vai se transformar em sala de cinema nesta sexta-feira (15), às 20h. O espaço receberá a exibição de dois filmes do diretor Cleinaldo Marinho que resgatam casos históricos de violência de gênero no estado. A entrada é solidária, mediante a doação de 1 kg de alimento não perecível.

Foto: Divulgação
A programação marca a estreia do docudrama “Etelvina – A Ressignificação da Tragédia” e traz também uma sessão especial de “Ária – Fazendo a Vida Viver”. A escolha do local não é por acaso: a estrutura de exibição foi montada em uma área do cemitério que se conecta diretamente com a memória das personagens retratadas.
O grande destaque da noite é o documentário sobre Etelvina de Alencar, jovem assassinada em 1901 na antiga Colônia Campos Sales — região que hoje compreende o bairro Santa Etelvina, na Zona Norte. Mais do que relembrar o crime, o filme investiga como a vítima foi transformada, ao longo das décadas, em uma figura de forte devoção e fé popular.
Parte das cenas foi rodada nos Dias de Finados de 2024 e 2025, no próprio cemitério, e mais de 60 pessoas foram ouvidas ao lado dos túmulos, gerando cerca de 120 horas de material bruto.

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O roteiro mistura encenações ficcionais (com a atriz Rosana Neves no papel principal) a pesquisas rigorosas no Tribunal de Justiça, na Biblioteca Estadual e na Hemeroteca da Biblioteca Nacional.
A obra foi realizada com recursos do Governo Federal, tendo sido contemplada pelo Edital de Audiovisual da Lei Paulo Gustavo, via Concultura.
A sessão de abertura será com “Ária – Fazendo a Vida Viver”, produção que já passou pelo palco do Teatro Amazonas. O filme reconstrói a trajetória e o fim trágico de Ária Ramos, musicista promissora da Manaus da Belle Époque, cuja vida também foi ceifada pela violência contra a mulher.
Ambos os filmes fazem parte de um projeto de Cleinaldo Marinho dedicado a resgatar trajetórias femininas que foram apagadas ou marginalizadas na história oficial do Amazonas, servindo como um manifesto contra o feminicídio estrutural.

