PLOA prevê R$ 7,449 trilhões em receitas e despesas, enquanto projeção da IFI aponta déficit primário de R$ 86,1 bilhões
Brasília – O próximo presidente da República terá pela frente um Orçamento federal projetado em R$ 7,449 trilhões para 2027, conforme o Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) encaminhado ao Congresso Nacional.

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O montante reúne os Orçamentos Fiscal, da Seguridade Social e de Investimento das empresas estatais. Na proposta, receitas e despesas estão previstas no mesmo valor.
Para o governo central, o projeto trabalha com superávit primário de R$ 18,6 bilhões. A Instituição Fiscal Independente (IFI), vinculada ao Senado Federal, apresenta uma projeção diferente e estima déficit primário de R$ 86,1 bilhões no próximo ano.
Despesas financeiras superam R$ 3,8 trilhões
Dos R$ 7,449 trilhões previstos no projeto, aproximadamente R$ 3,821 trilhões correspondem a despesas financeiras, enquanto outros R$ 3,418 trilhões estão relacionados às despesas primárias.
O Orçamento de Investimento das empresas estatais, por sua vez, soma cerca de R$ 209,7 bilhões.
Dentro das despesas primárias, o limite previsto no PLOA alcança R$ 2,576 trilhões, montante 7,7% superior ao limite estabelecido para 2026.
Grande parte dessas despesas é obrigatória, categoria que engloba benefícios previdenciários e outros pagamentos cuja execução está determinada pela legislação.
IFI projeta déficit de R$ 86,1 bilhões
Um dos principais pontos de divergência está nas projeções para o resultado das contas públicas.
Enquanto o projeto encaminhado pelo governo prevê superávit primário de R$ 18,6 bilhões, a IFI estima déficit de R$ 86,1 bilhões. A diferença entre os dois cenários chega a aproximadamente R$ 104,7 bilhões.
Na avaliação da instituição, poderá ser necessário realizar uma contenção de pelo menos R$ 35,7 bilhões em despesas ao longo de 2027 para o cumprimento da meta fiscal considerada no projeto.
As diferenças entre as projeções estão relacionadas, entre outros fatores, aos parâmetros econômicos adotados, como as estimativas para crescimento da economia, inflação e comportamento das receitas.
Dívida e juros pressionam contas públicas
O cenário para 2027 também será influenciado pela trajetória da dívida pública e pelo nível dos juros.
A combinação desses fatores pode reduzir o espaço disponível para despesas discricionárias, que abrangem investimentos, programas públicos e recursos destinados ao funcionamento da administração federal.
Com parcela significativa do Orçamento comprometida com despesas obrigatórias, eventuais ajustes fiscais tendem a se concentrar sobre os gastos que possuem maior possibilidade de contingenciamento.
Saúde terá R$ 272,2 bilhões
Mesmo diante das restrições fiscais, o projeto reserva recursos para diferentes áreas da administração pública.
Para a Saúde, estão previstos R$ 272,2 bilhões, enquanto a Educação deverá contar com R$ 141,2 bilhões.
O projeto também prevê aproximadamente R$ 133,8 bilhões em investimentos.
Entre as prioridades apresentadas no planejamento estão programas relacionados ao combate à fome e à redução das desigualdades, investimentos vinculados ao Novo PAC e iniciativas ambientais.
Congresso ainda pode alterar valores
Os R$ 7,449 trilhões representam a proposta orçamentária, e não o valor definitivo que será executado em 2027.
O PLOA tramita no Congresso como PLN 24/2026 e ainda será analisado pelos parlamentares antes da aprovação da Lei Orçamentária Anual.
Durante esse processo, deputados e senadores podem promover alterações na distribuição dos recursos e em outros pontos da proposta.
O orçamento aprovado também será executado pelo governo que assumir a Presidência da República em 1º de janeiro de 2027, após as eleições gerais de 2026.

