Médicos denunciam meses sem receber, enquanto pacientes enfrentam demora no atendimento e unidades operam sob forte pressão
MANAUS – A rede estadual de saúde do Amazonas enfrenta um cenário de crescente instabilidade diante de denúncias de atrasos salariais, sobrecarga de profissionais e dificuldades no atendimento à população. A situação tem sido relatada por médicos que atuam nos Serviços de Pronto Atendimento (SPAs) São Raimundo e Zona Sul, em Manaus, e já reflete diretamente na assistência prestada aos pacientes.

Edição: Portal Amazon News
No SPA São Raimundo, profissionais denunciam que os pagamentos dos honorários médicos estão atrasados há vários meses. Segundo relatos, há pendências referentes aos anos de 2025 e 2026, com alguns trabalhadores acumulando até sete meses sem receber pelos serviços prestados.
A insatisfação levou médicos a afixarem avisos em consultórios informando que os atendimentos seriam direcionados prioritariamente a pacientes classificados como casos graves, identificados pelas fichas laranja e vermelha. A medida ganhou repercussão e motivou uma resposta da empresa responsável pela administração da unidade, a Queiroz Serviços e Gestão em Saúde LTDA.
Em comunicado interno, a direção reforçou que nenhum profissional está autorizado a restringir, recusar ou selecionar atendimentos em razão de questões administrativas ou financeiras. O documento também determinou que comunicados relacionados à rotina da unidade só podem ser divulgados mediante autorização prévia da gestão, sob pena de medidas administrativas.


Foto: Divulgação
Além dos comunicados, áudios compartilhados nas redes sociais mostram médicos descrevendo a situação como preocupante. Os profissionais relatam insegurança diante da falta de previsão para a regularização dos pagamentos, mas afirmam que continuam atuando para garantir a assistência à população.
A crise também atinge o SPA Zona Sul. Médicos generalistas que trabalham na unidade denunciam atrasos nos honorários referentes aos meses de outubro, novembro e dezembro de 2025. Segundo os relatos, a situação tem contribuído para a redução do número de profissionais disponíveis e ampliado a pressão sobre as equipes em atividade.

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O impacto já é percebido pelos usuários do sistema público de saúde. Pacientes relatam longas esperas por atendimento e dificuldades para acessar consultas e procedimentos, em unidades que operam com alta demanda e estrutura pressionada.
De acordo com informações repassadas por profissionais da área, a crise estaria relacionada à irregularidade nos repasses financeiros destinados às empresas terceirizadas responsáveis pelos contratos médicos. Os recursos são administrados pelo Governo do Amazonas, por meio da Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM).
O cenário reacende discussões sobre o modelo de terceirização adotado na saúde pública estadual e a necessidade de garantir maior previsibilidade financeira para assegurar a continuidade dos serviços. Enquanto médicos aguardam uma solução para os pagamentos em atraso, milhares de amazonenses seguem enfrentando uma rede de saúde marcada por incertezas e dificuldades no atendimento.

