Entre os custodiados na unidade estavam policiais presos por homicídio, crimes sexuais, roubo, extorsão e sequestro, segundo o MPAM
O Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM) revelou nesta terça-feira (12), durante coletiva de imprensa da Operação Sentinela Maior, uma série de irregularidades encontradas no antigo Núcleo Prisional da Polícia Militar do Amazonas (NPPM-AM), localizado no bairro Monte das Oliveiras, zona norte de Manaus.

Foto: Divulgação
Vídeos divulgados pelo órgão mostram que policiais militares presos tinham acesso a itens proibidos dentro das celas, como celulares, carregadores, televisores, micro-ondas, geladeiras, freezer e aparelhos de ar-condicionado. Também foram encontrados utensílios domésticos, alimentos e diversos objetos que transformavam os espaços em uma espécie de “mini casa” improvisada.
Segundo o MPAM, entre os custodiados havia presos por crimes como homicídio, crimes sexuais, roubo, extorsão, sequestro e outros delitos considerados graves.

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A coletiva foi conduzida pelo promotor de Justiça Armando Gurgel Maia, que explicou os motivos da transferência de 71 presos para a nova Unidade Prisional da Polícia Militar do Estado do Amazonas (UPPM/AM), localizada em área próxima ao Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), na BR-174.
As novas dependências funcionam no prédio onde anteriormente operava o Centro Feminino de Educação e Capacitação (Cefec). Conforme o promotor, fiscalizações realizadas pelo Ministério Público identificaram falhas estruturais, ausência de controle efetivo e sucessivos episódios de irregularidades no antigo núcleo prisional.
“Encontramos celulares lá dentro, custodiados ausentes sem justificativa e uma total falta de capacidade do local para acolher os presos. Aquele prédio jamais foi pensado para custódia de pessoas”, afirmou Armando Gurgel durante a coletiva.
O MP também apontou problemas como superlotação, infiltrações, mofo, falta de ventilação adequada e ausência de serviços essenciais, incluindo atendimento médico, psicológico, odontológico e assistência social.
De acordo com o órgão, a situação ganhou maior gravidade após o episódio registrado em fevereiro deste ano, quando 23 policiais militares deixaram a unidade prisional, caso que gerou repercussão no Amazonas.
“A situação estava totalmente fora dos trilhos. Havia uma custódia apenas formal. Essas pessoas saíam e entravam do local a seu belo prazer”, declarou o promotor.
A transferência dos custodiados começou durante a madrugada e durou cerca de seis horas devido à resistência de familiares dos presos, que protestaram em frente à unidade tentando impedir a saída dos ônibus utilizados na operação.
Vídeos registrados no local mostram familiares bloqueando a rua e se deitando na via em frente aos veículos. Equipes do Comando de Policiamento Especializado (CPE) e do Batalhão de Choque acompanharam a ação.
Familiares afirmam temer pela segurança dos policiais militares presos após a transferência para a nova unidade prisional na BR-174.
O advogado Henrique Vasconcelos, que representa parte dos custodiados, contestou a versão sobre a fuga registrada em fevereiro e afirmou que os policiais teriam sido retirados da unidade para prestar depoimentos, retornando posteriormente ao local.
Já o presidente da Associação de Praças dos Policiais e Bombeiros Militares do Amazonas, Gutemberg Silva, reconheceu problemas na estrutura do antigo núcleo, mas criticou a transferência para o complexo penitenciário.
Segundo o MPAM, a nova unidade possui estrutura adequada para custódia, atendimento médico, assistência psicológica, espaço administrativo e controle prisional mais rigoroso.
“O que nós tivemos foi a mudança de um endereço precário para um endereço que agora vai aportar melhores condições de efetiva custódia”, afirmou Armando Gurgel.
O Ministério Público informou ainda que todos os materiais apreendidos passarão por triagem. Objetos ilícitos poderão gerar novas investigações para identificar os responsáveis pela posse e possíveis facilitadores da entrada dos itens na unidade prisional.

