Governo interino afirma que cerca de 31 toneladas de ouro, avaliadas em aproximadamente US$ 2 bilhões, poderiam financiar ações emergenciais e a recuperação das áreas devastadas pelos tremores
A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, informou nesta quinta-feira (9) que encaminhou uma carta ao rei Charles III solicitando a liberação das reservas de ouro venezuelanas mantidas no Banco da Inglaterra. Segundo ela, os recursos são essenciais para apoiar a reconstrução do país após os terremotos que provocaram milhares de mortes e deixaram um cenário de destruição.

Foto: Divulgação
Durante reunião com autoridades locais, Delcy afirmou que as reservas pertencem ao povo venezuelano e devem ser utilizadas para minimizar os impactos da tragédia humanitária causada pelos dois terremotos.
De acordo com estimativas do governo venezuelano, cerca de 31 toneladas de ouro permanecem depositadas no Banco da Inglaterra. O montante é avaliado em aproximadamente US$ 2 bilhões, o equivalente a cerca de R$ 10 bilhões.
Esses ativos permanecem bloqueados desde 2019, quando foram impostas sanções internacionais ao governo do presidente Nicolás Maduro.
O balanço oficial divulgado pelas autoridades aponta que os terremotos deixaram 3.811 mortos, 16.740 feridos e 6.462 pessoas resgatadas. Além disso, 17.907 moradores ficaram sem moradia. Os danos estruturais atingiram 856 edifícios, dos quais 190 desabaram completamente.
Segundo o governo, a liberação do ouro permitiria acelerar a reconstrução de residências, prédios públicos e demais estruturas afetadas, além de ampliar o atendimento às vítimas da tragédia.
Paralelamente ao pedido feito ao rei britânico, Delcy Rodríguez afirmou que busca recuperar outros ativos venezuelanos bloqueados no exterior. Ela informou ter conversado por telefone com a diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, para solicitar a liberação de aproximadamente US$ 5,1 bilhões pertencentes ao país.
Na quarta-feira (8), o governo venezuelano também fez um apelo à Organização das Nações Unidas (ONU), pedindo que a comunidade internacional flexibilize as sanções impostas à Venezuela. Caracas sustenta que a liberação desses recursos é fundamental para financiar ações emergenciais, atender a população afetada e impulsionar a reconstrução das regiões atingidas pelos terremotos.

