Declarações sobre “fim de uma civilização” ocorrem às vésperas de prazo decisivo para acordo envolvendo o Estreito de Ormuz
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a elevar o tom contra o Irã ao afirmar, nesta terça-feira (7), que “uma civilização inteira morrerá esta noite, para nunca mais ser ressuscitada”. A declaração ocorre em meio à aproximação do prazo final estipulado por Washington para que Teerã feche um acordo com os EUA e reabra o Estreito de Ormuz, rota considerada estratégica para o comércio global de energia.

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Em publicação na rede Truth Social, Trump ampliou o tom alarmista e destacou a gravidade do momento. “Uma civilização inteira morrerá esta noite, para nunca mais ser ressuscitada. Eu não quero que isso aconteça, mas provavelmente acontecerá. […] Descobriremos esta noite, em um dos momentos mais importantes da longa e complexa história do mundo. 47 anos de extorsão, corrupção e morte finalmente chegarão ao fim. Deus abençoe o grande povo do Irã!”, escreveu o presidente.

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O prazo definido pelo governo norte-americano se encerra na noite desta terça-feira, considerando os diferentes fusos horários entre Washington, Brasília e Teerã. Caso não haja avanço nas negociações, o Irã poderá enfrentar uma ofensiva militar de grande escala, segundo reiterou o próprio Trump em declarações recentes.
Nos últimos dias, o presidente dos EUA afirmou que o país possui capacidade de promover uma destruição ampla e rápida de infraestruturas estratégicas iranianas. Entre os alvos mencionados estão pontes, usinas de energia, instalações petrolíferas e sistemas de dessalinização de água. Em uma de suas falas, Trump chegou a afirmar que tais estruturas poderiam ser completamente destruídas em poucas horas.
As declarações aumentaram a preocupação da comunidade internacional, especialmente diante do risco de ataques a infraestruturas civis. Especialistas em direito internacional alertam que ações desse tipo podem configurar crimes de guerra, conforme estabelecido pelas Convenções de Genebra, que proíbem ataques deliberados a bens indispensáveis à sobrevivência da população civil.
Apesar das críticas, a Casa Branca tem afirmado que qualquer ação militar seguirá os parâmetros do direito internacional. O próprio Trump, ao ser questionado, minimizou as preocupações e argumentou que a maior ameaça seria permitir que o Irã desenvolvesse armas nucleares.
Do lado iraniano, a resposta tem sido de firmeza. Autoridades classificaram as declarações do presidente norte-americano como “infundadas” e “delirantes”. O porta-voz militar Ebrahim Zolfaqari alertou que qualquer novo ataque será respondido com uma retaliação mais intensa e em escala ampliada. Já representantes do Ministério das Relações Exteriores acusaram os Estados Unidos de conduzirem uma “guerra injusta e agressiva”.
A escalada retórica ocorre em um momento delicado das negociações indiretas entre os dois países. Segundo informações de bastidores, nações como Paquistão, Egito e Turquia têm atuado como mediadoras na tentativa de evitar um conflito direto. No entanto, os esforços diplomáticos enfrentam obstáculos significativos.
Uma proposta recente que previa um cessar-fogo temporário de 45 dias, aliado à reabertura do Estreito de Ormuz, não avançou. Enquanto os Estados Unidos consideraram a medida insuficiente, o Irã rejeitou a iniciativa sob o argumento de que uma pausa nos combates poderia favorecer adversários no campo militar.
Mesmo diante do impasse, Trump afirmou que o Irã segue como um “participante ativo e disposto” nas negociações. Ainda assim, não há indicativos concretos de um acordo iminente, o que mantém elevado o nível de incerteza.
O Estreito de Ormuz, epicentro da disputa, é responsável por uma parcela significativa do transporte global de petróleo, tornando qualquer instabilidade na região um fator de impacto direto nos mercados internacionais e na segurança energética mundial.
Diante desse cenário, governos e organismos internacionais acompanham com atenção os desdobramentos, temendo que a escalada de tensões entre Estados Unidos e Irã possa desencadear um conflito de maiores proporções no Oriente Médio, com efeitos globais.

