Seca na Bacia Amazônica: Ministério da Saúde anuncia base em Manaus

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Base regional será usada para levar equipes, medicamentos e unidades móveis a áreas afetadas pela seca em até 12 horas

Manaus – O Ministério da Saúde promete implantar uma base regional da Força Nacional do Sistema Único de Saúde (FN-SUS) em Manaus para responder aos impactos na saúde pública provocados pela seca nos rios da Bacia Amazônica. A medida foi detalhada nesta quarta-feira (16) pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, em conjunto com o balanço de ampliação do atendimento nas áreas remotas, que inclui o crescimento de 24,6% da frota de Unidades Básicas de Saúde Fluviais.

Foto: Divulgação

O ministro promoveu uma coletiva online com participação de jornalistas de todo o país.

A instalação da base no Amazonas deve ser uma estratégia de descentralização do atendimento de emergência. O modelo garante o deslocamento de unidades móveis e modulares, além de suprimentos de purificação de água e medicamentos, em um prazo de até 12 horas.

Para a infraestrutura de saúde fixa do Amazonas e do restante da região Norte, o governo federal registrou a construção e entrega de 273 Unidades Básicas de Saúde (UBS) adaptadas para suportar eventos climáticos extremos. Os projetos incluem painéis de energia solar, geradores e reserva hídrica com autonomia para 72 horas.

A urgência das ações se baseia nos modelos climáticos que indicam a evolução do El Niño, atualmente classificado como forte, para a categoria “muito forte” a partir de setembro. Esse cenário resulta na baixa dos leitos fluviais, prejudicando o deslocamento e o acesso aos serviços de saúde pelas comunidades ribeirinhas e indígenas. Durante o anúncio, o ministro declarou: “É urgente avançar na adaptação climática porque as mudanças do clima estão afetando a saúde e levando pessoas à morte. A preparação é baseada na ciência e respeita os princípios do SUS”.

Para minimizar o isolamento populacional, os dados ministeriais apontam que a frota de UBS Fluviais passou a operar com 71 unidades. Entre 2023 e 2026, o quadro de profissionais da saúde na região Norte aumentou 24,9%, de 261 para 326 servidores atuantes, garantindo que 95% da população local esteja vinculada às equipes de Saúde da Família e Saúde da Família Ribeirinha.

Impactos diretos e monitoramento

A estiagem prolongada e a redução das chuvas previstas para a região geram consequências sanitárias mapeadas pelo sistema público, incluindo casos de desnutrição, insegurança hídrica, proliferação de dengue e agravos cardiorrespiratórios provocados pela fumaça das queimadas. Para orientar gestores locais, os Centros de Informação em Saúde e Clima (CISC), instalados em Belém e Santarém (PA), realizam o mapeamento de zonas de resfriamento, pontos de hidratação e protocolos de atendimento.

O abastecimento das áreas vulneráveis, incluindo os territórios indígenas, foi reforçado com a instalação de 587 soluções de acesso à água potável e a destinação de 377 ambulâncias do SAMU. A distribuição e o planejamento de emergência contam com o monitoramento do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) e da Defesa Civil.

Adaptação e resiliência

As medidas emergenciais na bacia amazônica e a instalação da base em Manaus compõem o plano AdaptaSUS, apresentado na COP30. O projeto abrange 27 metas e 93 ações, com orçamento total previsto de R$ 9,8 bilhões até 2035.

Em âmbito nacional, o programa já possui três bases regionais da FN-SUS em funcionamento (Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Bahia). Em 2026, a FN-SUS contabilizou 11 missões em oito estados, realizando 4.899 atendimentos de saúde, sendo a maioria vinculada a desastres naturais. O país registra mais de 2,2 mil UBS resilientes e 20,8 mil cisternas no programa habitacional e de infraestrutura.

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