Estrogênio, testosterona, hormônios da tireoide e prolactina podem influenciar o desejo sexual, mas fatores emocionais, comportamentais e clínicos também precisam ser considerados
Manaus – A redução do desejo sexual entre as mulheres pode estar relacionada a diferentes fatores, incluindo alterações hormonais, condições clínicas, aspectos emocionais e hábitos de vida. Quando a mudança provoca incômodo, compromete o bem-estar ou representa uma alteração significativa em relação ao padrão habitual, a orientação é buscar avaliação médica para investigar as possíveis causas.

Foto: Divulgação
Entre os hormônios associados à libido feminina estão os estrogênios e os androgênios, especialmente a testosterona. Segundo a ginecologista e consultora do Sabin Diagnóstico e Saúde, Luciana Soares, essas substâncias desempenham funções distintas relacionadas à saúde sexual.
“Embora a libido feminina seja influenciada por diversos fatores, os hormônios mais frequentemente relacionados à diminuição do desejo sexual são os estrogênios e os androgênios, especialmente a testosterona. Os estrogênios desempenham papel importante na saúde vaginal, lubrificação e conforto durante as relações sexuais, enquanto a testosterona está associada ao desejo sexual, à motivação e à sensação de bem-estar”, explica.
Durante a transição para a menopausa e após a menopausa, os níveis desses hormônios sofrem redução gradual, condição que pode contribuir para a diminuição da libido em algumas mulheres. Alterações no funcionamento da tireoide e níveis elevados de prolactina, hormônio produzido pela hipófise, também podem interferir no desejo sexual em determinadas situações.
A especialista ressalta, porém, que a avaliação não deve se limitar aos níveis hormonais. Estresse, qualidade do sono, saúde mental, condições clínicas, aspectos emocionais e a qualidade do relacionamento também podem exercer influência sobre a função sexual.
“Por isso, a avaliação deve ser sempre ampla e individualizada”, destaca Luciana Soares.
Investigação começa pela avaliação clínica
O diagnóstico começa com a análise do histórico da paciente. Durante a consulta, o médico procura identificar quando ocorreu a redução da libido, a presença de outros sintomas e possíveis fatores emocionais ou condições de saúde associados.
Exames laboratoriais podem complementar a investigação, principalmente durante a perimenopausa e a menopausa. Entre os testes que podem ser solicitados estão estradiol, FSH e LH, relacionados à função reprodutiva, além de testosterona total e livre e SHBG.
A avaliação do funcionamento da tireoide também pode incluir exames de TSH e T4 livre.
“Dependendo do caso, também podem ser pedidos hemograma, ferritina, vitamina B12, vitamina D e glicemia, todos exames que ajudam a identificar outras condições com impacto sobre o bem-estar e a função sexual”, explica a ginecologista.
Os resultados laboratoriais devem ser analisados em conjunto com os sintomas, histórico e contexto clínico da paciente. A partir dessa avaliação, o profissional de saúde pode definir a abordagem adequada para cada situação.
Tratamento depende da causa identificada
Nos casos em que a investigação aponta deficiência hormonal associada a sintomas da menopausa, a terapia hormonal pode ser considerada para pacientes que não apresentem contraindicações. O tratamento pode contribuir para o controle de sintomas e para aspectos relacionados à saúde vaginal e à função sexual.
Quando há ressecamento vaginal, estrogênios de aplicação local também podem ser utilizados mediante avaliação médica, com o objetivo de reduzir o desconforto durante as relações sexuais.
Outras medidas podem integrar o tratamento conforme os fatores identificados, incluindo manejo do estresse, melhora da qualidade do sono, prática regular de atividade física e acompanhamento psicológico ou terapia sexual.
“O mais importante é identificar os fatores envolvidos em cada caso para que o tratamento seja direcionado às necessidades individuais da mulher. Quando a causa é adequadamente investigada, é possível promover não apenas a melhora da libido, mas também do bem-estar e da qualidade de vida como um todo”, conclui Luciana Soares.

