Pedro José da Silva Gama teve a prisão preventiva revogada e responderá ao processo em liberdade, com monitoramento por tornozeleira eletrônica
Manaus – Pedro José da Silva Gama, condutor da lancha “Lima Abreu XV”, que naufragou em fevereiro deste ano na região do Encontro das Águas, em Manaus, deixando três mortos e cinco desaparecidos, será levado a Júri Popular.

Edição: Portal Amazon News
A decisão foi proferida pelo juiz Fábio Lopes Alfaia, da 2ª Vara do Tribunal do Júri da Comarca de Manaus, no dia 24 de setembro. Na mesma decisão, o magistrado revogou a prisão preventiva do réu, que poderá responder ao processo em liberdade mediante o cumprimento de medidas cautelares, entre elas o uso de tornozeleira eletrônica.
Na decisão de pronúncia, o juiz reconheceu a materialidade dos crimes, comprovada por laudos necroscópicos, e considerou haver indícios suficientes de autoria para que o caso seja submetido ao Tribunal do Júri.
O réu foi pronunciado por homicídio simples, por três vezes, na forma de concurso formal. As qualificadoras de motivo fútil, perigo comum e recurso que dificultou a defesa das vítimas, anteriormente apontadas pela acusação, não foram mantidas na decisão.
A definição sobre a existência de dolo eventual ou culpa consciente deverá ser analisada pelo Tribunal do Júri.
Prisão revogada e tornozeleira eletrônica
Ao revogar a prisão preventiva, o magistrado considerou que, na atual fase do processo, não permanecem os fundamentos necessários para a manutenção da medida.
Pedro José deverá cumprir medidas cautelares enquanto responde ao processo em liberdade. Além do monitoramento eletrônico, ele está proibido de manter contato, por qualquer meio, com familiares das vítimas e com testemunhas ouvidas durante o processo.
Naufrágio no Encontro das Águas
O naufrágio ocorreu no dia 13 de fevereiro de 2026, por volta das 14h, na região do Encontro das Águas, nas proximidades do bairro Mauazinho, em Manaus.
A lancha havia deixado o Porto da Manaus Moderna por volta das 12h30, com destino a Nova Olinda do Norte, transportando dezenas de passageiros.
Segundo a denúncia apresentada pelo Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM), o condutor teria navegado em velocidade elevada e supostamente participado de uma disputa, conhecida como “racha”, com outra embarcação. A acusação também relata que passageiros teriam pedido a redução da velocidade diante das condições enfrentadas durante o trajeto.
Essas circunstâncias fazem parte da acusação e serão analisadas no decorrer do julgamento.
Após o naufrágio, imagens registradas por passageiros mostraram pessoas na água enquanto aguardavam o resgate. Ao todo, 71 sobreviventes foram resgatados.
Mortos
Três mortes foram confirmadas:
- Fernando Grandêz Souza de Oliveira, cantor, de 39 anos;
- Samila Souza Oliveira, de 3 anos;
- Lara Bianca Bezerra Lopes, estudante de odontologia, de 22 anos.
Desaparecidos
Cinco pessoas permanecem relacionadas como desaparecidas no caso:
- Ana Carla Izel, advogada, de 40 anos;
- Apoliana Oliveira, de 36 anos;
- Patrícia Barroso da Silva, de 33 anos;
- Renato Alan Melo Basto, de 40 anos;
- Romualdo Marcião de Almeida, de 80 anos.

