Capital amazonense registrou níveis insalubres de poluição nesta segunda-feira (12); Governo Federal mobilizou 11 aeronaves e brigadistas para combater incêndios florestais no estado
Manaus amanheceu novamente encoberta por uma densa camada de fumaça nesta segunda-feira (12). Pelo quinto dia consecutivo, a capital amazonense apresentou a pior qualidade do ar entre as cidades brasileiras monitoradas pela plataforma internacional IQAir. O cenário está relacionado ao avanço das queimadas que atingem diferentes regiões do Amazonas.

Foto: Divulgação
Por volta das 6h, o Índice de Qualidade do Ar (AQI⁺) chegou a 195 pontos, nível considerado insalubre. A concentração de partículas finas PM2.5 atingiu 123 microgramas por metro cúbico (µg/m³), indicando elevada presença de poluentes na atmosfera.
O Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), desenvolvido pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA), também identificou condições preocupantes. Na manhã desta segunda-feira, a qualidade do ar foi classificada como muito ruim em Manaus. No bairro Armando Mendes, os índices chegaram a 218,2 µg/m³, enquadrando a região na categoria péssima.
De acordo com os parâmetros utilizados pelo Selva, concentrações de partículas entre 0 e 25 µg/m³ representam condições consideradas boas. Valores superiores são distribuídos em diferentes níveis de classificação, conforme a intensidade da poluição.
Governo Federal identifica focos de incêndio em áreas preservadas
A situação das queimadas no Amazonas foi acompanhada por representantes do Governo Federal durante um sobrevoo realizado no domingo (11). A comitiva percorreu regiões afetadas pelos incêndios, incluindo áreas próximas ao município de Autazes, e identificou diversos focos de fogo no interior da floresta.
O ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, afirmou que a dimensão dos incêndios encontrada durante a inspeção superou suas expectativas.
“Mais grave do que eu imaginava depois de fazer o sobrevoo, porque nós identificamos muitos focos de incêndio no meio da floresta preservada. Inúmeros focos”, declarou o ministro.
Durante a avaliação, representantes federais apontaram indícios de incêndios provocados por ação humana e defenderam a identificação e responsabilização dos envolvidos.
Onze aeronaves são mobilizadas para combater queimadas
Como parte das medidas emergenciais, o Governo Federal anunciou a mobilização de 11 aeronaves para reforçar o combate aos incêndios florestais no Amazonas. A estrutura inclui aviões Air Tractor, utilizados em operações de lançamento de água, e aeronaves militares C-390, além de equipes de brigadistas do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
As ações buscam ampliar a capacidade de resposta aos focos de incêndio e apoiar as equipes que atuam nas regiões afetadas.
No sábado (10), o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) reconheceu oficialmente a situação de emergência em 36 municípios amazonenses devido aos incêndios florestais. Na mesma data, o Governo do Amazonas também decretou situação de emergência.
O reconhecimento federal permite a adoção de medidas extraordinárias, a articulação entre órgãos públicos e a liberação de recursos destinados ao enfrentamento dos incêndios e ao atendimento das populações atingidas.
Manaus permanece em estado de atenção
Na capital amazonense, a Prefeitura de Manaus mantém o estado de atenção decretado em 24 de setembro. A medida é utilizada diante de ocorrências que possam afetar o município e da possibilidade de eventos de maior impacto em curto prazo.
Manaus também está entre os 36 municípios contemplados pelo reconhecimento federal da situação de emergência.
O ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, destacou que a atuação conjunta entre União, Estado e municípios envolve tanto o combate direto às chamas quanto a assistência às pessoas afetadas.
“Uma coisa é enfrentar em todas as frentes e empregar toda a força que puder, Governo Federal junto com o Estado e municípios, para apagar o fogo. A outra é assistir pessoas que já estão, de alguma forma, precisando de ajuda humanitária, de assistência médica como resultado do incêndio”, afirmou.
Segundo o ministro, equipes da Força Nacional do Sistema Único de Saúde (SUS) já atuam no Amazonas para prestar apoio às ações de assistência.
Enquanto as operações de combate aos incêndios são intensificadas, a fumaça continua afetando a qualidade do ar em Manaus, ampliando a preocupação com a exposição da população aos poluentes, especialmente entre crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias.
