Governo do Amazonas recebe autorização para solicitar liberação de empréstimo de R$ 1,46 bilhão

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Publicação dos contratos de garantia no Diário Oficial da União permite avanço na operação com o Banco do Brasil; recursos serão destinados a infraestrutura, habitação e parcerias público-privadas

O Governo do Amazonas já pode solicitar ao Banco do Brasil a liberação de R$ 1,462 bilhão referentes a uma operação de crédito contratada pelo Estado. A possibilidade de desembolso ocorre após a publicação dos extratos dos contratos de garantia e contragarantia no Diário Oficial da União (DOU), na quarta-feira (14).

Foto: Divulgação

A publicação representa uma das etapas necessárias para a transferência dos recursos, mas o dinheiro ainda não foi efetivamente liberado. Para receber o valor, o governo estadual precisará apresentar a solicitação formal e cumprir as exigências estabelecidas no contrato.

O financiamento foi assinado pelo governador Roberto Cidade (União Brasil) na sexta-feira (9), após uma série de questionamentos judiciais e administrativos que chegaram a interromper o andamento da operação.

O contrato estabelece que os recursos poderão ser disponibilizados em parcela única até 30 de dezembro de 2026.

Governo terá que apresentar documentos para receber o empréstimo

Para solicitar o desembolso, o Governo do Amazonas deverá informar detalhadamente quais projetos e investimentos receberão os recursos.

No caso de obras de construção civil, será necessário apresentar documentação que comprove a regularidade ambiental dos empreendimentos.

Entre os documentos exigidos estão as licenças de instalação ou operação, conforme a fase de execução de cada projeto. Quando o licenciamento ambiental não for obrigatório, o Estado deverá apresentar a comprovação da dispensa.

Também será exigida declaração de regularidade dos alvarás de construção, do Cadastro Nacional de Obras (CNO) e das Anotações ou Registros de Responsabilidade Técnica (ART ou RRT).

Para obras que envolvam a utilização de recursos hídricos, o governo precisará apresentar a outorga de direito de uso da água, emitida pelo órgão competente, ou comprovar que o documento não é exigido.

Essas condições fazem parte dos procedimentos necessários para autorizar a transferência dos valores contratados.

Banco do Brasil terá prazo de dez dias úteis para liberar recursos

Conforme as condições previstas na operação de crédito, o empréstimo de R$ 1,462 bilhão poderá ser transferido ao Estado em uma única parcela.

O prazo contratual para o desembolso termina em 30 de dezembro de 2026.

Após receber o pedido formal e verificar o cumprimento das exigências, o Banco do Brasil terá até dez dias úteis para efetuar a liberação dos recursos.

A publicação dos contratos no Diário Oficial da União, portanto, permite que o governo avance para a etapa de solicitação, mas não significa que o valor já esteja disponível nos cofres estaduais.

Empréstimo será pago em nove anos após período de carência

O contrato prevê que o Governo do Amazonas terá um período de carência de 12 meses antes de começar a amortizar o valor principal do financiamento.

Depois desse intervalo, a dívida será paga em 108 prestações mensais, equivalentes a nove anos de amortização.

O início do pagamento do principal está previsto para 9 de novembro de 2027.

Durante o período de carência, o Estado continuará sujeito à cobrança dos encargos financeiros estabelecidos no contrato.

A operação representa um compromisso financeiro de longo prazo para o orçamento estadual, com pagamentos programados para os exercícios seguintes.

Veja como serão distribuídos os R$ 1,462 bilhão

De acordo com a destinação apresentada pelo Governo do Amazonas, os recursos serão distribuídos entre três fundos estaduais.

Destinação Valor previsto
Fundo de Infraestrutura e Desenvolvimento do Estado do Amazonas (Fideam) R$ 1,03 bilhão
Fundo Garantidor de Parcerias Público-Privadas R$ 400 milhões
Fundo Estadual de Habitação R$ 32 milhões
Total R$ 1,462 bilhão

A maior parte do financiamento, correspondente a R$ 1,03 bilhão, será direcionada ao Fideam, instrumento utilizado para financiar ações relacionadas ao desenvolvimento e à infraestrutura estadual.

Outros R$ 400 milhões estão previstos para o Fundo Garantidor de Parcerias Público-Privadas, enquanto R$ 32 milhões serão destinados ao Fundo Estadual de Habitação.

A aplicação dos valores dependerá da apresentação dos projetos e do cumprimento das condições exigidas para cada investimento.

Contratação enfrentou questionamentos na Justiça

Antes da assinatura, o empréstimo foi alvo de medidas judiciais que chegaram a suspender temporariamente o procedimento.

Os questionamentos ocorreram no âmbito de uma ação popular apresentada em agosto pelo advogado Carlos Miqueias Soares Brandão, que contestava a legalidade da contratação.

Posteriormente, o autor solicitou a desistência da ação, alegando que manifestações técnicas e de órgãos de controle haviam apresentado entendimentos convergentes sobre a destinação dos recursos.

Após os desdobramentos judiciais, o governo estadual avançou com a formalização do contrato junto ao Banco do Brasil.

TCU esclareceu que não havia determinado suspensão da operação

O processo também passou por análise da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN), órgão responsável por emitir parecer técnico relacionado à concessão de garantia da União.

Durante a tramitação, a PGFN suspendeu o procedimento, afirmando que cumpria uma determinação atribuída ao ministro Jhonatan de Jesus, do Tribunal de Contas da União (TCU).

Entretanto, em despacho publicado em 9 de outubro, o ministro esclareceu que não havia determinado a interrupção dos atos relacionados à operação de crédito.

Segundo o despacho, a análise do pedido de suspensão havia sido apenas adiada para permitir a manifestação das partes envolvidas.

Na mesma decisão, Jhonatan de Jesus rejeitou o pedido de suspensão.

Com a assinatura do financiamento e a posterior publicação dos contratos de garantia e contragarantia, o Governo do Amazonas passou a ter condições de solicitar a transferência dos recursos, desde que apresente a documentação exigida pelo Banco do Brasil.

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