Equipamento monitora continuamente os níveis de PM₂,₅ na capital amazonense e reforça acompanhamento durante períodos de estiagem e queimadas
O Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) passou a contar com uma estação de referência para monitorar a qualidade do ar em Manaus. O equipamento realiza medições contínuas da concentração de material particulado fino (PM₂,₅), poluente atmosférico associado a riscos à saúde.

Edição: Portal Amazon News
O monitoramento ganha relevância especialmente durante o período de estiagem na Amazônia, quando a ocorrência de queimadas pode elevar a quantidade de partículas suspensas no ar e provocar episódios de fumaça na capital amazonense.
Instalada na sede da Fiocruz Amazônia, a estação funciona em uma estrutura metálica posicionada a aproximadamente três metros de altura e permite acompanhar as variações na concentração de partículas ao longo do dia.
Equipamento monitora PM₂,₅
O equipamento utilizado é o BAM 1022, integrado à Plataforma FioAres, iniciativa financiada pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima para ampliar o monitoramento da poluição atmosférica na região amazônica.
A estação mede especificamente o PM₂,₅, formado por partículas com diâmetro de até 2,5 micrômetros. Por serem muito pequenas, essas partículas podem permanecer suspensas na atmosfera e ser inaladas.
Os dados coletados são organizados em informes que apresentam as concentrações média, mínima e máxima registradas diariamente, além de uma comparação com o valor de referência adotado nos boletins com base nas recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS).
Manaus registrou média de 55,7 µg/m³
Um dos primeiros registros da estação identificou concentração elevada de partículas finas no ar de Manaus.
No dia 23 de setembro, a média diária de PM₂,₅ chegou a 55,7 µg/m³, aproximadamente 3,7 vezes o valor-guia de 15 µg/m³ utilizado como referência no boletim.
Durante as 24 horas analisadas, as concentrações permaneceram acima dos 15 µg/m³. O maior valor foi registrado às 6h, quando o equipamento marcou 119,1 µg/m³.
Segundo o pesquisador Polari Corrêa, além dos picos de concentração, o acompanhamento permite observar por quanto tempo a população permanece exposta a níveis elevados de material particulado.
A exposição prolongada reforça a importância do monitoramento contínuo, principalmente durante períodos em que a fumaça afeta a qualidade do ar na cidade.
Fiocruz divulgará boletins sobre qualidade do ar
A Fiocruz Amazônia passou a disponibilizar informes diários e boletins semanais com os resultados do monitoramento, permitindo acompanhar as mudanças na concentração de material particulado em Manaus.
De acordo com Fernanda Fonseca, coordenadora do Laboratório de Modelagem em Estatística, Geoprocessamento e Epidemiologia da Fiocruz Amazônia, as informações também poderão ser utilizadas para ampliar o acompanhamento ambiental e validar dados produzidos por sensores de menor custo e modelos atmosféricos.
Os resultados podem ainda auxiliar na orientação da população durante períodos de maior concentração de fumaça e fornecer informações para pesquisas relacionadas aos impactos da poluição atmosférica.
Rede possui cinco estações na Amazônia
A unidade instalada em Manaus integra uma rede formada por cinco estações de referência distribuídas pela Amazônia.
Além da capital amazonense, os equipamentos estão instalados em Rio Branco, no Acre; Porto Velho, em Rondônia; Santarém e Belém, no Pará.
A Plataforma FioAres reúne pesquisadores de diferentes unidades da Fiocruz e instituições parceiras. A coordenação nacional é conduzida pela pesquisadora Beatriz Oliveira, da Fiocruz Piauí.
Em Manaus, as atividades envolvem pesquisadores do ILMD/Fiocruz Amazônia e contam com parceria da Universidade do Estado do Amazonas (UEA).
Dados podem auxiliar ações de saúde ambiental
Além de apoiar pesquisas científicas, as informações produzidas pela estação podem subsidiar ações de vigilância em saúde ambiental e contribuir para políticas públicas relacionadas à qualidade do ar.
O acompanhamento contínuo também permite identificar períodos de maior concentração de partículas finas e avaliar a duração dos episódios de poluição atmosférica, especialmente durante a temporada de estiagem e queimadas na região.
Os informes diários e boletins semanais de monitoramento são disponibilizados pela Fiocruz Amazônia em sua seção dedicada à qualidade do ar.
