Falta de chuvas agrava estiagem e dificulta recuperação dos rios amazônicos

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Projeções do Serviço Geológico do Brasil indicam possibilidade de níveis baixos nos rios e apontam riscos para logística, economia e comunidades amazônicas

Manaus – A escassez de chuvas na região amazônica deve continuar até o início de 2027, dificultando a recuperação dos níveis dos rios. O cenário atual indica que a vazante poderá atingir proporções históricas, com possíveis impactos na logística regional e na rotina de comunidades ribeirinhas e indígenas.

Edição: Portal Amazon News

As projeções foram divulgadas nesta terça-feira (1º), em Manaus, pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB). Para elaborar os cenários, o órgão considerou anos marcados por forte influência do fenômeno El Niño, especialmente 2015 e o período de 2023/2024.

Segundo o pesquisador André Martinelli, o objetivo do alerta de vazante de 2026 é projetar possíveis comportamentos dos rios a partir desses eventos anteriores. O período de 2023/2024, segundo ele, resultou nas menores cotas registradas em diversas estações de monitoramento da Bacia Amazônica.

Manaus pode registrar cota abaixo de 13 metros

As estimativas do SGB apontam cenários distintos para Manaus. Caso o comportamento da vazante se aproxime do registrado em 2015, a capital amazonense poderá atingir uma cota de 12,92 metros. Em um cenário semelhante ao observado em 2024, a projeção é de 16,32 metros.

Martinelli explicou que ambos os níveis são considerados baixos e podem provocar reflexos na logística e nas atividades do Polo Industrial de Manaus. O pesquisador destacou que cotas inferiores a 14 metros representam um cenário mais extremo, semelhante ao enfrentado durante as secas de 2023 e 2024.

Nesses períodos, a redução dos níveis dos rios dificultou a navegação em diferentes pontos do Amazonas e afetou localidades que dependem diretamente do transporte fluvial.

Monitoramento considera três cidades

Para elaborar as projeções, o Serviço Geológico do Brasil utilizou três estações consideradas estratégicas: Tabatinga, Manaus e Itacoatiara.

Tabatinga foi incluída por estar localizada na parte mais alta do tronco principal da bacia, no Rio Solimões. Manaus foi considerada por concentrar importantes impactos econômicos e socioambientais durante os períodos de seca.

Itacoatiara, por sua vez, é monitorada devido à importância do município para a logística e para o transporte de cargas no Amazonas.

Dados devem auxiliar ações preventivas

De acordo com o SGB, as projeções não representam uma previsão definitiva das cotas que serão registradas, mas apresentam cenários que podem auxiliar no planejamento para o período de vazante.

As informações são destinadas principalmente a gestores públicos e às defesas civis estaduais e municipais, que podem utilizar os dados na preparação de ações para reduzir os possíveis impactos sociais, econômicos e ambientais da estiagem.

O acompanhamento dos níveis dos rios deverá continuar ao longo dos próximos meses, à medida que as condições de chuva e o comportamento da Bacia Amazônica forem atualizados.

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