Projeções apontam chuvas irregulares, temperaturas acima da média e risco de níveis baixos dos rios mesmo durante o período mais chuvoso na região
A seca na Amazônia pode se prolongar até março de 2027, com impactos que poderão atravessar o chamado inverno amazônico. O cenário está relacionado à possibilidade de atuação de um El Niño de forte intensidade, com previsão de chuvas irregulares, temperaturas elevadas e menor disponibilidade de água entre o fim de 2026 e o início do próximo ano.

Edição: Portal Amazon News
O alerta é especialmente relevante para a Amazônia Ocidental, onde está localizado o Amazonas. A combinação de precipitações abaixo da média, calor e baixa umidade pode intensificar a vazante dos rios, afetar a navegação e aumentar as condições favoráveis à ocorrência de incêndios florestais.
A projeção não indica ausência de chuva durante todo o período. A expectativa é de que ocorram precipitações, mas de maneira irregular e, em determinadas áreas, em volumes insuficientes para recuperar rapidamente os níveis dos rios, a umidade do solo e os reservatórios subterrâneos.
El Niño pode atingir forte intensidade
As projeções para o El Niño 2026-2027 indicam elevada possibilidade de intensificação do fenômeno entre outubro e dezembro. Caso o cenário se confirme, o episódio poderá alcançar níveis elevados de intensidade.
O El Niño está relacionado ao aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial e provoca alterações na circulação atmosférica, influenciando o regime de chuvas em diferentes regiões.
No Norte do Brasil, seus efeitos podem estar associados à redução das precipitações e ao aumento das temperaturas. Os modelos indicam ainda a possibilidade de permanência do fenômeno durante o primeiro trimestre de 2027.
As previsões representam tendências sazonais e podem ser modificadas conforme a evolução das condições oceânicas e atmosféricas.
Amazonas registra agravamento da seca
O Amazonas está entre as áreas que apresentam avanço das condições de seca. Monitoramentos indicam aumento da severidade em diferentes pontos do estado, com reflexos também nas bacias hidrográficas.
Na bacia do rio Negro, por exemplo, o avanço da estiagem reforça a atenção para os níveis dos rios durante os próximos meses.
A continuidade da vazante pode afetar o abastecimento, a navegação e o deslocamento de comunidades ribeirinhas. Em diversas localidades do interior amazonense, os rios são as principais rotas para o transporte de alimentos, medicamentos, combustíveis e passageiros.
Níveis dos rios reforçam alerta
Em Manaus, o rio Negro registrava 24,09 metros no dia 1º de setembro, ficando 2,59 metros abaixo da marca observada no mesmo período de 2025. Durante setembro, o nível continuou apresentando redução em meio ao período de vazante.
Em Itacoatiara, o rio Amazonas apresentava 9,95 metros, enquanto, no mesmo período do ano anterior, o nível registrado era de 12,13 metros.
As projeções hidrológicas também indicam possibilidade de vazões abaixo da média em diferentes bacias da Região Norte. Nos afluentes da margem esquerda do rio Amazonas, entre eles o rio Negro, existe risco de níveis inferiores aos esperados para o período.
Chuvas podem ocorrer durante a estiagem
A possibilidade de a seca continuar até março de 2027 não significa que a região permanecerá sem chuva. Pancadas e episódios de precipitação mais intensa podem ocorrer durante os próximos meses.
O principal fator de atenção é a distribuição irregular das chuvas e a possibilidade de o volume acumulado permanecer abaixo da média histórica.
Com isso, mesmo a ocorrência de precipitações pode não ser suficiente para compensar o déficit hídrico acumulado, recuperar a umidade do solo e provocar uma elevação consistente dos rios.
Dessa forma, os efeitos da estiagem podem continuar durante o inverno amazônico, período normalmente marcado pelo aumento das chuvas na região.
Calor pode aumentar risco de incêndios
Temperaturas elevadas, baixa umidade e vegetação ressecada também podem ampliar o risco de queimadas e incêndios florestais.
O cenário exige atenção, principalmente em áreas de floresta, pastagens e propriedades rurais. A continuidade do período seco pode favorecer a propagação do fogo, especialmente em locais onde houver queimadas ou uso irregular das chamas para limpeza de terrenos.
Além dos impactos ambientais, a fumaça produzida pelos incêndios pode atingir áreas urbanas e comunidades próximas às regiões afetadas.
Produção rural pode sofrer impactos
A redução das chuvas também pode atingir lavouras, pastagens e a criação de animais. Entre os possíveis efeitos estão queda da produtividade, menor disponibilidade de água para os rebanhos e alterações no calendário de plantio.
Outro risco é a chamada “seca verde”, situação em que a vegetação mantém aparência esverdeada, mas apresenta baixa umidade e perda de qualidade nutricional devido à falta de água no solo.
Cultivos como mandioca, milho e feijão podem sofrer estresse hídrico. A redução do volume de água em rios e lagos também pode elevar a temperatura da água e diminuir a concentração de oxigênio, aumentando o risco de mortalidade de peixes.
Período mais crítico pode ocorrer até janeiro
As projeções indicam que o intervalo entre novembro de 2026 e janeiro de 2027 poderá concentrar as condições mais críticas da estiagem.
Nesse período, a combinação de temperaturas elevadas e chuvas abaixo da média pode ampliar os impactos sobre os rios, a produção rural, a navegação e a disponibilidade de água.
O comportamento da seca, entretanto, não depende exclusivamente do El Niño. As condições do Oceano Atlântico Tropical também influenciam a distribuição das chuvas na Amazônia e podem intensificar ou reduzir os efeitos previstos.
Por esse motivo, as projeções climáticas e hidrológicas são atualizadas periodicamente conforme novas informações sobre as condições atmosféricas e oceânicas ficam disponíveis.
