Operação reúne bombeiros, policiais e órgãos ambientais, com apoio de 11 aeronaves; estado já contabilizou mais de 22 mil focos combatidos desde junho
Manaus (AM) – O Governo do Amazonas mantém uma operação integrada de prevenção, fiscalização e combate às queimadas e aos incêndios florestais em 35 municípios do estado. Neste sábado (17), mais de mil profissionais de diferentes órgãos estaduais e federais atuam nas ações, que incluem o emprego de aeronaves, equipamentos de monitoramento e equipes especializadas.

Edição: Portal Amazon News
A mobilização envolve o Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM), a Polícia Militar (PMAM), o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) e agentes federais. Também participam das atividades a Secretaria de Segurança Pública (SSP-AM), a Polícia Civil (PC-AM) e a Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema).
Os trabalhos de combate estão concentrados principalmente em Apuí, Humaitá, Autazes, Boca do Acre, Itacoatiara, Careiro da Várzea e Itapiranga, municípios que apresentam os maiores focos de incêndio neste momento.
Mais de 22 mil focos combatidos no Amazonas
Entre 1º de junho e 16 de outubro, o Corpo de Bombeiros registrou 3.710 ocorrências relacionadas a incêndios urbanos e florestais. Durante o período, a corporação atuou no combate a 22.557 focos de incêndio, sendo 4.598 em Manaus e 17.959 no interior do estado.
A operação conta com aproximadamente mil bombeiros militares e brigadistas, além do apoio de outras instituições.
Para ampliar a capacidade de resposta, foram mobilizadas 11 aeronaves dos governos estadual e federal, incluindo sete aviões Air Tractor, um KC-390 e três helicópteros.
O Corpo de Bombeiros também ampliou sua estrutura no interior. Entre maio de 2025 e maio de 2026, o número de municípios com bases permanentes passou de 11 para 25. As unidades contam com viaturas de combate a incêndios com capacidade para transportar até 10 mil litros de água, além de equipamentos e militares.
O efetivo da corporação chegou a 1.651 militares em 2026, ante 692 registrados em 2019.
Fiscalizações resultam em mais de R$ 167 milhões em multas
As ações de fiscalização ambiental também foram intensificadas. Até 15 de outubro, o Ipaam havia lavrado 610 autos de infração, aplicado mais de R$ 167 milhões em multas e realizado 421 embargos, abrangendo uma área de 65.281,12 hectares.
As operações Alerta Fogo e Região Metropolitana utilizam informações de monitoramento ambiental, registros de focos de calor e ocorrências identificadas pelas equipes em campo.
Os agentes contam com drones e viaturas equipadas com internet via satélite para fiscalizar áreas de difícil acesso.
Outra frente de atuação é a Operação Tamoiotatá, iniciada em fevereiro, que abrange 13 municípios. No dia 9 de outubro, equipes realizaram fiscalizações em Manaquiri, Autazes, Careiro Castanho e Careiro da Várzea.
A operação Amazonas+Verde, iniciada em maio, também reúne atividades de fiscalização, educação ambiental e combate aos incêndios em 33 municípios.
Entre junho e agosto, as ações educativas alcançaram mais de 43 mil pessoas. Como reforço operacional, foram entregues 20 viaturas, incluindo 17 picapes equipadas com kits de combate a incêndios, além de 453 equipamentos multimissão.
O Programa Floresta em Pé também contratou 153 brigadistas florestais para atuar na prevenção, no monitoramento e no combate ao fogo.
Drones e aeronaves auxiliam na identificação de incêndios
A Secretaria de Segurança Pública intensificou o monitoramento aéreo das regiões atingidas pelas queimadas.
As operações utilizam veículos aéreos não tripulados, drones com câmeras térmicas e aeronaves do Departamento Integrado de Operações Aéreas (DIOA).
Entre os equipamentos empregados está o Vant Harpia, que possui autonomia de até 12 horas de voo, pode atingir velocidades entre 65 e 135 quilômetros por hora e alcançar altitude de cinco quilômetros.
As imagens captadas são transmitidas às equipes em solo, permitindo identificar focos de incêndio, acompanhar áreas de difícil acesso e localizar possíveis atividades criminosas.
O DIOA também disponibiliza três aeronaves para apoiar investigações, reconhecimento de áreas e transporte de equipes de segurança.
Fumaça compromete qualidade do ar em Manaus
Além dos incêndios florestais, a fumaça continua afetando a qualidade do ar na capital amazonense.
Na manhã deste sábado (17), sensores instalados em Manaus registraram concentrações de partículas finas MP2,5 entre 44 e 101 microgramas por metro cúbico.
A classificação municipal permaneceu no nível Muito Ruim, principalmente nas zonas centro-sul, leste e sudeste.
Os municípios de Iranduba e Itacoatiara também permanecem sob monitoramento devido à possibilidade de agravamento da poluição atmosférica.
A fumaça ainda provocou redução da visibilidade nos aeroportos de Manaus. Às 5h, o Aeroporto Internacional Eduardo Gomes registrou visibilidade de aproximadamente dois quilômetros, enquanto no Aeroporto Ponta Pelada o alcance visual chegou a quatro quilômetros.
Segundo os órgãos de monitoramento, a presença de ventos fracos dificulta a dispersão dos poluentes.
Rede estadual registra 315 atendimentos em outubro
A Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM) e a Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-RCP) acompanham os impactos da fumaça na saúde da população dos 62 municípios amazonenses.
Entre os dias 1º e 14 de outubro, a rede estadual registrou 315 atendimentos em Manaus no contexto do monitoramento dos efeitos da fumaça.
As equipes também acompanham internações, disponibilidade de leitos, estoques de medicamentos, insumos e oxigênio medicinal.
As autoridades de saúde recomendam evitar exposição prolongada à fumaça, reduzir atividades físicas ao ar livre, manter os ambientes fechados durante períodos de maior concentração de poluentes e aumentar a ingestão de água.
Crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças respiratórias ou cardiovasculares devem receber atenção especial.
Em casos leves, a população pode procurar atendimento pelo aplicativo Saúde AM Digital ou nas unidades básicas de saúde. Situações graves devem ser encaminhadas aos serviços de urgência.
Estado declara emergência em 36 municípios
Diante do avanço dos incêndios florestais, o Governo do Amazonas publicou, em 10 de outubro, o Decreto nº 55.751, que declarou situação de emergência por 180 dias em 36 municípios afetados pelo fogo.
Outra medida, estabelecida pelo Decreto nº 55.339, de 9 de setembro, proibiu o uso do fogo em todo o território estadual durante 120 dias, com exceções previstas na legislação.
O governo também instituiu o Plano Estadual de Prevenção e Controle do Desmatamento e Queimadas, voltado à redução dos incêndios, do desmatamento e da degradação ambiental.
As ações contam com a participação do Governo Federal. No início de outubro, representantes dos ministérios do Meio Ambiente e da Integração e do Desenvolvimento Regional participaram de reuniões com autoridades estaduais para avaliar a situação e alinhar estratégias de enfrentamento.
No dia 12 de outubro, o Comitê Permanente de Enfrentamento a Eventos Climáticos e Ambientais (Copec) também reuniu representantes municipais para discutir medidas de prevenção e combate às queimadas.
Como denunciar queimadas ilegais
A população pode colaborar com o trabalho das autoridades comunicando incêndios e denunciando possíveis infrações ambientais.
O Corpo de Bombeiros atende pelo telefone 193. Denúncias de queimadas ilegais podem ser encaminhadas ao Ipaam pelo WhatsApp (92) 98557-9454. A Defesa Civil atende pelo número 199.
