Candidata a vice-governadora na chapa de Omar Aziz abordou dificuldades logísticas das eleições, participação feminina na política e episódios de violência política de gênero
Manaus (AM) – A candidata a vice-governadora do Amazonas, Alessandra Campelo, que integra a chapa encabeçada pelo senador Omar Aziz (PSD), recebeu, nesta terça-feira (20), representantes da Missão de Especialistas Eleitorais da União Europeia (UE) para discutir o processo eleitoral no estado, os desafios enfrentados pelas mulheres na política e as condições de realização das eleições na região amazônica.

Foto: Divulgação
O encontro contou com a participação das especialistas Tânia Marques e Merce Castells, que acompanham as Eleições Gerais de 2026 no Brasil. Durante a reunião, Alessandra apresentou informações sobre a campanha eleitoral e destacou as particularidades geográficas do Amazonas, que exigem operações logísticas para garantir o acesso da população às urnas.
Entre os principais desafios mencionados estão o transporte de urnas eletrônicas para comunidades indígenas, localidades ribeirinhas e regiões de difícil acesso, onde o deslocamento depende de diferentes meios de transporte.
Candidata destaca atuação da Justiça Eleitoral
Durante a conversa, Alessandra Campelo avaliou o trabalho desenvolvido pelo Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM) na organização das eleições.
A candidata elogiou a atuação da instituição e destacou a gestão da desembargadora Carla Reis, presidente do Tribunal.
“O TRE sempre atuou muito bem aqui no estado. Eu diria que, agora, com uma mulher na presidência, a desembargadora Carla Reis, que é uma pessoa muito séria, muito firme e muito justa, esse trabalho continua”, afirmou.
Alessandra também declarou que a campanha de Omar Aziz tem buscado priorizar a apresentação de propostas para o estado, apesar das críticas e dos ataques que, segundo ela, têm ocorrido durante a disputa eleitoral.
Participação feminina e desigualdade na política
Outro tema abordado na reunião foi a participação das mulheres nos espaços de poder e nas disputas eleitorais.
Alessandra Campelo afirmou que a exigência de uma participação mínima de 30% de candidaturas femininas não é suficiente para assegurar igualdade de condições entre homens e mulheres.
Segundo a candidata, a predominância masculina nas direções partidárias e a distribuição desigual de recursos e oportunidades dificultam o fortalecimento das candidaturas femininas.
“Muitas vezes, as mulheres são colocadas apenas para preencher o número. As eleições são conduzidas por homens, e muitos tratam a participação das mulheres como uma obrigação”, declarou.
A candidata também mencionou as responsabilidades familiares e domésticas como fatores que podem limitar a participação das mulheres nas atividades políticas.
“Quando um homem sai para fazer campanha, ele se dedica totalmente à política. A mulher, não. Ela carrega ainda toda essa bagagem de cuidados e responsabilidades”, afirmou.
Alessandra relata episódio de violência política de gênero
Durante o encontro com as representantes europeias, Alessandra Campelo também relatou um episódio que classificou como violência política de gênero, ocorrido, segundo ela, na semana anterior.
A candidata criticou a ausência de manifestação de sua adversária em relação ao episódio.
O relato foi apresentado às especialistas como parte das dificuldades enfrentadas por mulheres durante campanhas eleitorais.
A violência política de gênero envolve condutas destinadas a impedir, dificultar ou restringir o exercício dos direitos políticos das mulheres, conforme as circunstâncias previstas na legislação brasileira.
Propostas para saúde, educação e segurança pública
Além das questões eleitorais, Alessandra apresentou pontos do plano de governo de Omar Aziz relacionados à saúde, educação, segurança pública e políticas de proteção às mulheres.

Foto: Divulgação
A candidata destacou a necessidade de ampliar o desenvolvimento econômico e social do Amazonas, considerando as dificuldades de acesso a serviços públicos em municípios do interior.
“Nossa maior preocupação é com o desenvolvimento do estado. Vivemos em um estado distante, isolado geograficamente. Precisamos de outras alternativas, porque não podemos viver em meio a tanta riqueza e ter pessoas tão pobres”, declarou.
Segundo Alessandra, as propostas da chapa buscam enfrentar desigualdades sociais e ampliar as oportunidades para a população amazonense.
Missão da União Europeia acompanha eleições brasileiras
A Missão de Especialistas Eleitorais da União Europeia está no Brasil a convite do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para acompanhar diferentes etapas das Eleições Gerais de 2026.
A equipe iniciou suas atividades em agosto e tem previsão de permanecer no país até novembro.
O trabalho inclui a análise de aspectos relacionados à organização do processo eleitoral, à participação política e às condições em que ocorrem as campanhas.
A reunião com Alessandra Campelo integrou as atividades de acompanhamento do cenário eleitoral no Amazonas.
