Nível chegou a 21,44 metros em Manaus nesta quinta-feira (17), acumulando queda de 2,65 metros desde o início de setembro
Manaus – O Rio Negro mantém ritmo acelerado de descida em setembro e chegou à marca de 21,44 metros nesta quinta-feira (17), em Manaus. Desde o início do mês, quando o nível estava em 24,09 metros, a redução acumulada é de 2,65 metros, conforme dados da medição realizada no Porto de Manaus.

Edição: Portal Amazon News
A velocidade da vazante também pode ser observada nos registros mais recentes. Em uma semana, o rio perdeu 1,40 metro. Na quinta-feira (9), a cota registrada era de 22,84 metros.
A descida das águas faz parte do ciclo hidrológico característico do segundo semestre na Amazônia. A evolução durante setembro, entretanto, é acompanhada por órgãos de monitoramento diante dos possíveis impactos de uma vazante mais intensa ou prolongada.
Nas secas severas de 2023 e 2024, o Rio Negro chegou a apresentar redução entre 3 e 3,5 metros durante período semelhante de setembro.
Situação dos rios
De acordo com o Serviço Geológico do Brasil (SGB), o processo de vazante continua em grande parte da Região Amazônica. Apesar da redução das chuvas em algumas áreas, a maior parte das estações monitoradas apresenta níveis compatíveis com o esperado para esta época do ano.
Na bacia do Solimões, a descida segue o comportamento sazonal. Dados divulgados pelo SGB na terça-feira (15) indicavam 2,38 metros em Tabatinga, 12,52 metros em Manacapuru e 9,15 metros em Itapéua, no município de Coari.
No rio Amazonas, foram registrados 8,06 metros em Itacoatiara e 3,64 metros em Parintins. No Pará, as cotas chegaram a 3,85 metros em Óbidos e 3,51 metros em Almeirim.
O rio Madeira também permanece em vazante. Em Porto Velho, Rondônia, a medição indicava 3,41 metros, enquanto Humaitá, no Amazonas, registrava 11,13 metros.
Na bacia do Purus, Beruri apresentou nível de 13,25 metros. Já no rio Acre, em Rio Branco, a marca observada foi de 2,25 metros.
Atenção para os próximos meses
A situação considerada mais preocupante pelo monitoramento está na bacia do rio Branco, em Roraima, onde os níveis ficaram abaixo da média e das mínimas históricas para o período. O cenário ocorre após volumes de chuva abaixo da média registrados em julho e agosto.
Em Boa Vista, o rio Branco chegou a 0,93 metro, enquanto Caracaraí apresentou cota de 1,47 metro.
Técnicos do SGB apontam que, caso as chuvas esperadas entre setembro e novembro não ocorram nos volumes previstos, a vazante poderá se prolongar nas calhas dos rios Amazonas, Solimões, Negro e Tapajós.
Uma queda mais prolongada dos rios pode provocar impactos sobre atividades como navegação, transporte de passageiros e cargas, abastecimento de comunidades e pesca, principalmente em áreas mais dependentes do transporte fluvial.
O SGB ressalta que as previsões são elaboradas com modelos hidrológicos e estão sujeitas a incertezas. As medições também podem passar por ajustes após verificações realizadas pelas equipes responsáveis pela rede hidrometeorológica.

