Partículas finas presentes na fumaça podem alcançar regiões profundas dos pulmões e estão associadas ao agravamento de doenças respiratórias e cardiovasculares
A presença intensa de fumaça em Manaus nesta quinta-feira (17) aumenta a preocupação com os efeitos da poluição do ar sobre a saúde. Além de provocar irritação nos olhos, nariz e garganta, a exposição a partículas finas pode afetar o sistema respiratório e cardiovascular, principalmente entre pessoas mais vulneráveis.

Edição: Portal Amazon News
O principal componente da fumaça que preocupa especialistas é o material particulado fino, conhecido como MP2,5. Por possuir diâmetro igual ou inferior a 2,5 micrômetros, essas partículas conseguem penetrar profundamente no sistema respiratório. Evidências também mostram mecanismos pelos quais a exposição pode produzir efeitos além dos pulmões e afetar o sistema cardiovascular.
Em Manaus, o Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (SELVA), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), registrou nesta quinta concentrações elevadas de MP2,5 em diferentes regiões da cidade. Um dos registros chegou a 125,4 µg/m³, classificado como “muito ruim” pelo sistema.
Dos pulmões ao coração
A exposição à fumaça pode provocar sintomas como tosse, chiado no peito, dificuldade para respirar e irritação das vias respiratórias. Também pode reduzir temporariamente a função pulmonar e agravar quadros de asma, bronquite e doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC).
Os efeitos, entretanto, não ficam restritos aos pulmões. A Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA) aponta que a exposição de curto prazo à fumaça e ao MP2,5 está associada a efeitos cardiovasculares, incluindo agravamento de insuficiência cardíaca, infarto e acidente vascular cerebral (AVC), além de aumento de atendimentos de emergência e internações.
Isso não significa que uma pessoa exposta à fumaça necessariamente sofrerá um infarto. O risco varia conforme fatores como concentração dos poluentes, duração da exposição, idade e existência de doenças anteriores.
Quem precisa de mais atenção?
Crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças cardíacas ou pulmonares estão entre os grupos mais suscetíveis aos efeitos da fumaça. Pessoas que trabalham ou permanecem por longos períodos ao ar livre também podem apresentar maior exposição.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a fumaça proveniente de incêndios e queimadas pode provocar desde irritações e dores de cabeça até efeitos respiratórios mais graves, como crises de asma e falta de ar. A entidade também registra efeitos cardiovasculares associados à exposição à poluição por partículas.
Qualidade do ar exige atenção
Com a fumaça atingindo diferentes zonas de Manaus, a recomendação é acompanhar os dados oficiais de qualidade do ar e reduzir a exposição quando os níveis de poluição estiverem elevados, especialmente entre integrantes dos grupos de risco.
Em caso de sintomas intensos, como dificuldade importante para respirar ou dor no peito, é necessário procurar atendimento médico.

