Relatório divulgado pela ONU alerta para possibilidade de ultrapassagem do limite nos próximos anos e aponta necessidade de redução das emissões de gases de efeito estufa
A Organização das Nações Unidas (ONU) alertou que a temperatura média global pode ultrapassar o patamar de 1,5°C acima dos níveis pré-industriais nos próximos anos. O cenário pode ampliar a ocorrência e a intensidade de eventos climáticos extremos, como ondas de calor, secas, incêndios florestais e chuvas intensas.

Edição: Portal Amazon News
O alerta consta em relatório divulgado nesta quarta-feira (2). Segundo a organização, medidas para reduzir as emissões de gases de efeito estufa são necessárias para limitar a intensidade e a duração de uma eventual ultrapassagem do patamar.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, defendeu que os esforços internacionais continuem direcionados para manter o aumento da temperatura global o mais próximo possível de 1,5°C.
De acordo com as Nações Unidas, cada fração adicional de aquecimento aumenta os riscos para populações, atividades econômicas e ecossistemas.
O que representa o limite de 1,5°C?
O patamar de 1,5°C é uma referência utilizada nas negociações climáticas internacionais para medir o aumento da temperatura média global em comparação aos níveis registrados antes da industrialização.
Ultrapassar esse nível está associado ao aumento dos riscos relacionados às mudanças climáticas, entre eles ondas de calor mais intensas, períodos prolongados de seca, incêndios florestais e eventos extremos de precipitação.
Uma ultrapassagem temporária, no entanto, não significa necessariamente que o objetivo climático de longo prazo tenha sido definitivamente perdido. A intensidade e a duração desse período, conhecido como overshoot, dependem principalmente da trajetória das emissões globais nas próximas décadas.
ONU defende redução do uso de combustíveis fósseis
Entre as medidas apontadas para conter o avanço do aquecimento global está a redução gradual da dependência de combustíveis fósseis, acompanhada pela expansão das fontes renováveis de energia.
O documento também destaca a necessidade de reduzir as emissões de metano e ampliar iniciativas de conservação e recuperação de ecossistemas, incluindo florestas e oceanos.
Essas ações são consideradas importantes tanto para limitar novas emissões quanto para preservar áreas capazes de armazenar carbono.
Países desenvolvidos têm papel central
A ONU afirma que tecnologias e recursos capazes de reduzir os impactos futuros das mudanças climáticas já estão disponíveis, mas aponta a necessidade de ampliar investimentos e a cooperação entre os países.
O relatório destaca a importância do financiamento climático para acelerar a transição energética e permitir que países mais vulneráveis adotem medidas de adaptação aos efeitos das mudanças no clima.
Nesse processo, as economias desenvolvidas são apontadas como fundamentais devido à participação histórica nas emissões de gases de efeito estufa e à maior capacidade financeira para investir na transição e apoiar outras nações.
Cada décimo de grau faz diferença
O alerta ocorre em meio à intensificação de eventos extremos registrados em diferentes partes do planeta.
Segundo a ONU, mesmo diante da possibilidade de uma ultrapassagem temporária de 1,5°C, reduzir o ritmo do aquecimento continua sendo fundamental.
Os impactos das mudanças climáticas não são determinados por um único limite. Quanto maior for o aumento da temperatura média do planeta, maiores tendem a ser os riscos associados a ondas de calor, secas, incêndios, chuvas extremas e alterações nos ecossistemas.
Por isso, a organização reforça que reduzir as emissões nas próximas décadas é uma das principais medidas para limitar a intensidade e a duração do aquecimento global.

