Casos de leishmaniose sobem de 395 para 473 no Amazonas

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Estado contabilizou 473 casos até 17 de agosto, contra 395 no mesmo período de 2025; forma tegumentar é a mais registrada

O Amazonas registrou aumento de 19,75% nos casos de leishmaniose entre janeiro e 17 de agosto de 2026, segundo dados da Fundação de Vigilância em Saúde Dra. Rosemary Costa Pinto (FVS-RCP). No período, foram contabilizados 473 casos da doença, enquanto no mesmo intervalo de 2025 foram registrados 395.

Edição: Portal Amazon News

A leishmaniose é uma doença infecciosa transmitida pela picada de insetos conhecidos popularmente como mosquito-palha quando infectados pelo protozoário causador da doença. No Amazonas, a forma mais registrada é a Leishmaniose Tegumentar, caracterizada principalmente pelo surgimento de lesões na pele.

De acordo com a médica de Família e Comunidade Karina Paiva, características ambientais da região amazônica podem favorecer o ciclo do vetor, especialmente quando associadas às mudanças climáticas.

“O ciclo de vida do inseto dura, em média, de 30 a 45 dias e depende diretamente de temperatura, umidade e disponibilidade de matéria orgânica no ambiente. Com o aumento das temperaturas, esse ciclo tende a se completar mais rápido, permitindo mais gerações do vetor por ano e uma janela de atividade mais longa”, explica.

Condições ambientais influenciam transmissão

Segundo a médica, a transmissão da leishmaniose na Amazônia também está relacionada a alterações ambientais, como desmatamento e expansão das atividades humanas para áreas próximas à floresta.

“A leishmaniose já é altamente endêmica na Amazônia e historicamente está ligada ao desmatamento e à expansão da fronteira agrícola, que colocam pessoas em contato direto com o ambiente de mata onde o vetor vive. A mudança climática tende a se somar a esses fatores, aumentando a intensidade da transmissão em áreas já afetadas e criando condições favoráveis em regiões próximas que hoje apresentam baixa transmissão”, afirma.

A forma tegumentar é a apresentação mais comum da doença e costuma provocar feridas na pele, geralmente indolores e com bordas elevadas e bem delimitadas. Em situações menos frequentes, a doença também pode atingir as mucosas.

A orientação é procurar atendimento médico diante de feridas que não cicatrizam, especialmente quando houver histórico recente de permanência em áreas de mata ou zonas rurais.

“Qualquer ferida na pele que não cicatriza em poucas semanas, principalmente após exposição à mata ou área rural, deve ser avaliada por um profissional de saúde. O diagnóstico precoce ajuda a evitar destruição de tecido e sequelas”, orienta Karina Paiva.

Leishmaniose visceral exige atenção

Outra manifestação da doença é a leishmaniose visceral, também conhecida como calazar. Considerada uma forma mais grave, ela pode causar febre prolongada, fraqueza, perda de peso e aumento do volume abdominal devido ao crescimento do fígado e do baço.

Crianças, gestantes, pessoas desnutridas e imunossuprimidas estão entre os grupos que exigem atenção especial diante de sintomas suspeitos.

“Febre que persiste por mais de uma a duas semanas, associada a emagrecimento e aumento do volume abdominal, principalmente em quem mora ou visitou uma área endêmica, é um sinal de alerta para procurar atendimento”, afirma a médica.

Como reduzir o risco de transmissão

Entre as medidas de prevenção estão o uso de repelente nas áreas expostas do corpo, principalmente entre o fim da tarde e o amanhecer, e a utilização de roupas de manga comprida durante atividades em áreas rurais ou de mata.

Como o mosquito-palha é menor que mosquitos comuns, também é recomendado o uso de mosquiteiros de malha fina e telas adequadas em portas e janelas.

A manutenção do ambiente é outra medida indicada. Quintais, terrenos e locais onde permanecem animais devem ser mantidos limpos, evitando o acúmulo de folhas e outros materiais orgânicos em decomposição que podem favorecer a presença do vetor.

Segundo Karina Paiva, medidas comunitárias e ambientais, como limpeza periódica de terrenos, poda de árvores e manutenção dos espaços destinados a animais domésticos, também contribuem para a prevenção.

A médica recomenda ainda a participação da população nas ações de vigilância realizadas pelas autoridades de saúde e a procura por atendimento diante de sintomas suspeitos. O diagnóstico e o tratamento da doença estão disponíveis nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs).

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