Denúncia encaminhada ao MPF e ao MPAM aponta suposta cobrança de valores entre R$ 180 e R$ 300 durante atendimentos relacionados ao Cadastro Único; gravação registra negociação atribuída ao servidor
Um servidor da Prefeitura de Manaus foi denunciado ao Ministério Público Federal (MPF) e ao Ministério Público do Amazonas (MPAM) por suspeita de cobrar dinheiro de famílias para facilitar a atualização de informações no Cadastro Único e o acesso ao Bolsa Família.

Foto: Divulgação
A denúncia, apresentada na última quinta-feira (20), reúne relatos de pessoas que afirmam ter sido abordadas pelo funcionário durante atendimentos relacionados ao CadÚnico. De acordo com as informações apresentadas aos órgãos, os valores supostamente cobrados variavam entre R$ 180 e R$ 300.
Entre os materiais anexados à denúncia está uma gravação realizada em julho. No áudio, um homem identificado como José Nascimento dos Santos afirma trabalhar no Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) e negocia uma cobrança de R$ 180 após obter informações sobre a composição familiar de uma mulher.
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Durante a conversa, são feitas perguntas sobre renda, emprego, quantidade de integrantes da família e situação cadastral. Após ser informado de que a mulher tinha apenas um filho, o homem menciona o valor que seria cobrado pelo serviço.
“R$ 180, é só um filho”, afirma na gravação.
Segundo o conteúdo apresentado na denúncia, o servidor também teria afirmado que ele e outro funcionário poderiam atualizar as informações e organizar o cadastro de forma a possibilitar o recebimento do benefício.
Em outro trecho, o homem orienta sobre a renda que deveria constar no Cadastro Único e menciona que determinados valores poderiam impedir o enquadramento da família nos critérios necessários para receber o Bolsa Família.

Foto: Divulgação
A denúncia sustenta que a conduta relatada iria além da orientação normalmente prestada aos usuários e poderia envolver a alteração ou adequação de informações cadastrais com o objetivo de enquadrar famílias nos critérios do programa.
O caso foi encaminhado ao MPF e ao MPAM para conhecimento e eventual apuração das acusações apresentadas. As informações relatadas na denúncia não representam, por si só, conclusão sobre responsabilidade do servidor citado.

