Negociador do Irã sinaliza trégua com os EUA, mas alerta: “Estamos prontos para guerra”

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Em uma publicação na rede social X, o parlamentar deixou claro que o clima de hostilidade entre Teerã e Washington permanece intacto

EUA – O principal negociador das tratativas entre Irã e Estados Unidos, o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, adotou um tom de cautela e forte desconfiança nesta sexta-feira (29) ao comentar os rumos das negociações bilaterais. Embora fontes da imprensa internacional apontem que os dois países selaram um pacto para estender o cessar-fogo e liberar a navegação no Estreito de Ormuz nesta quinta-feira (28), Qalibaf evitou confirmar a consolidação do acordo e elevou o tom da retórica militar.

Foto: Divulgação

Em uma publicação na rede social X, o parlamentar deixou claro que o clima de hostilidade entre Teerã e Washington permanece intacto.

“Não confiamos em garantias ou palavras; apenas ações são medidas válidas, e nenhuma ação será tomada antes que a outra parte aja. O vencedor de qualquer acordo é aquele que melhor se prepara para a guerra a partir do dia seguinte”, declarou Qalibaf, sinalizando que o país segue pronto para retomar os confrontos se necessário.

Ao avaliar o andamento das conversas, o negociador iraniano afirmou que o governo de Donald Trump aceitou fazer concessões na mesa de negociação. No entanto, Qalibaf enfatizou que esses recuos americanos não foram fruto da diplomacia convencional, mas sim uma consequência direta do poder de dissuasão militar demonstrado pelo Irã.

Apesar dos avanços logísticos, o cenário atual não representa um tratado de paz definitivo. O texto costurado até o momento é visto apenas como uma extensão provisória das frentes de diálogo. Um acordo final e duradouro ainda demandará rodadas intensas de negociação, especialmente para alinhar as severas exigências de Donald Trump em relação ao programa de enriquecimento de urânio do Irã.

De acordo com informações publicadas pelo portal americano Axios, os termos para a prorrogação da trégua estão praticamente definidos. O único detalhe pendente para o anúncio oficial de ambos os governos é o aval final do presidente dos Estados Unidos.

Contudo, a viabilidade desse arranjo diplomático corre contra o tempo e o clima de tensão no terreno de combate. Recentemente, Washington e Teerã protagonizaram trocas de ataques recíprocos. Embora as investidas tenham sido cirúrgicas e de escopo limitado, os episódios expuseram a extrema fragilidade do cessar-fogo que está em vigor desde o início de abril e acenderam o alerta sobre os riscos reais de um colapso nas tentativas de encerrar o conflito.

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