Apesar de não mencionar Trump, fala do petista se deu em meio à guerra no Irã, iniciada após ataques norte-americanos e israelenses
Alemanha – Na Alemanha, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a defender o multilateralismo para enfrentamento de desafios globais, especialmente no cenário de guerras. Em fala durante a inauguração do estande brasileiro na Feira Industrial de Hannover, o petista também fez críticas ao que chamou de “era das fake news” e defendeu que o mundo “não pode ser dirigido por mentiras”.

Foto: Divulgação
“O mundo não pode ser dirigido na medida em que alguém que pensa ser mais importante que os outros toma decisões para impor ao mundo, como se o mundo não existisse democraticamente”, afirmou Lula.
Apesar de não mencionar o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a fala do petista se dá em meio à guerra no Irã, iniciada após ataques norte-americanos e israelenses contra o país no Oriente Médio. Em outras ocasiões, Lula mencionou que a motivação do conflito, justificada pelo suposto desenvolvimento de armas nucleares, seria “mentira”.
O conflito no Oriente Médio vem sendo criticado por líderes globais, que entendem que a decisão de Trump prejudica a estabilidade internacional.
Lula, que está na Europa desde o último dia 17, cumpre agenda na Alemanha para compromissos políticos, econômicos e empresariais.
Ao criticar as guerras, o presidente comentou que a “harmonia constituída depois da Segunda Guerra Mundial para estabelecer a paz e a harmonia entre os países está sendo jogada fora”.
“Não é possível que a gente não tenha noção de nós que precisamos mudar essa situação mundial”, disse Lula, ao fazer um apelo para “todos aqueles que defendem o multilateralismo, para todos aqueles que não querem guerra, para todos aqueles que querem paz, para todos aqueles que querem construir e não destruir, para todos aqueles que querem defender a vida e não defender a morte, para todos aqueles que pensam no futuro da humanidade humana”.
“Vejam que eu falei humanidade humana, porque a humanidade está virando algoritmo”, afirmou o presidente, que em nenhum momento do discurso fez referência aos Estados Unidos ou ao presidente norte-americano, Donald Trump.
Relação Brasil-Alemanha
Sobre a Alemanha, Lula disse que a relação do Brasil com a potência europeia “nunca mais será a mesma” após a feira e que o resto do mundo terá “inveja” da parceria entre os dois países.
“Temos muito interesse em fazer com que a nossa aliança com a Europa e, sobretudo, com a Alemanha, seja uma aliança cada vez mais produtiva, cada vez mais eficaz e cada vez mais capaz de proporcionar ao povo alemão e ao povo brasileiro perspectiva de um futuro mais promissor”, afirmou o presidente da República.
Transição energética
Lula também falou da transição energética ao citar a mistura de biocombustíveis com combustíveis fósseis no Brasil. “Nós temos 30% de etanol misturado à nossa gasolina e 15% de biodiesel misturado no nosso diesel.”
Processos migratórios
Ele ainda exaltou os processos migratórios e disse que aqueles que defendem a democracia e o multilateralismo são bem-vindos no Brasil: “Um país criado por imigrantes.”

