Licença do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas permite criação controlada de espécies amazônicas para estudos sobre veneno e acidentes com escorpiões
Manaus – O Amazonas passou a contar com o primeiro criadouro científico regularizado de escorpiões do estado. A licença ambiental foi concedida pelo Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) à Fundação de Medicina Tropical Doutor Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD), instituição de referência localizada em Manaus.

Foto: Divulgação
A autorização, formalizada nesta quarta-feira (11) por meio de uma Licença Ambiental Única (LAU), permitirá a criação controlada de espécies de escorpiões da fauna amazônica para fins de pesquisa científica. A iniciativa busca ampliar os estudos sobre a biologia desses animais e os efeitos de suas peçonhas no organismo humano, contribuindo para avanços na área da saúde.
Espécies amazônicas serão mantidas em ambiente controlado
A licença permite a manutenção de quatro espécies: Tityus metuendus, Tityus silvestris, Tityus dinizi e Brotheas amazonicus.
O principal objetivo é aprofundar o conhecimento científico sobre o comportamento e a biologia desses animais, além de compreender melhor os efeitos das peçonhas no organismo humano. Os estudos também devem contribuir para ampliar o entendimento sobre acidentes envolvendo escorpiões.
Nova estrutura fortalece pesquisas científicas
Até a concessão da licença, os estudos realizados pela Fundação de Medicina Tropical Doutor Heitor Vieira Dourado dependiam principalmente de escorpiões levados por pacientes ou encontrados ocasionalmente em áreas urbanas.

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Com o criadouro científico regularizado, os pesquisadores passam a ter autorização para realizar coletas de campo de forma controlada e ampliar o número de espécimes disponíveis para pesquisa. A medida também permitirá aumentar a produção de veneno utilizado em estudos laboratoriais.
A pesquisadora Jacqueline Sachett, professora da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e integrante da fundação, afirma que o criadouro representa um avanço significativo para o desenvolvimento científico.
Segundo ela, a estrutura funciona como um “elo perdido” para aprofundar as pesquisas. “Para obtermos uma quantidade significativa de veneno para pesquisa, é indispensável manter um número maior de espécimes em cativeiro”, explicou.
Estudos podem contribuir para novos tratamentos
De acordo com o diretor-presidente do Ipaam, Gustavo Picanço, e com a gerente de Fauna Silvestre do órgão, Sônia Canto, a criação do criadouro científico ajuda a preencher lacunas no conhecimento sobre o comportamento desses animais.
Além de ampliar os estudos sobre espécies amazônicas, as pesquisas também podem contribuir para o desenvolvimento de novos tratamentos e para a elaboração de orientações à população sobre prevenção e atendimento em casos de acidentes com escorpiões.

