Declaração foi feita em entrevista à India Today, em Nova Délhi
Índia – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu nesta sexta-feira (20) que, se Nicolás Maduro deve ser julgado, isso deve ocorrer em seu próprio país, e não nos Estados Unidos, como pretende o governo americano.

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“Não podemos aceitar que o chefe de Estado de um país invada outro país e capture o presidente. Isso é inaceitável. Não há explicação para isso, e não é aceitável”, disse Lula em entrevista ao canal de televisão India Today, em Nova Délhi.
Maduro foi retirado à força de Caracas no início do ano por forças especiais dos EUA e levado para Nova York, onde deve ser julgado por acusações de envolvimento em tráfico de drogas.
A operação pegou o mundo de surpresa e foi condenada por diversos países, inclusive o Brasil.
Lula afirmou que o mais importante no momento é restabelecer a democracia na Venezuela e consolidá-la, e defendeu que qualquer processo contra Maduro deve ser feito em seu próprio país.
“Acredito que, se Maduro tiver de ser julgado, ele deve ser julgado no seu país, e não no exterior. Não é aceitável a interferência de uma nação sobre outra nação”, afirmou.
A posição sobre a Venezuela deixa Lula e o presidente dos EUA, Donald Trump, em lados opostos, apesar da aproximação de ambos nos últimos meses.
O petista se ofereceu, mais de uma vez, para mediar a crise entre os dois países, mas ele mesmo admitiu que não teve espaço para isso.
Segundo uma fonte brasileira, nem EUA, nem Venezuela deram espaço para o Brasil tentar abrir um diálogo, apesar de Lula ter mencionado a possibilidade algumas vezes com Trump e também ter conversado com a atual presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez.
Apesar das críticas à ação dos Estados Unidos na Venezuela, Lula enfatizou na entrevista à emissora indiana que tem uma ótima relação com Trump e pretende que isso continue, lembrando da proposta para uma visita aos EUA em março.

