Levantamento indica que cerca de 1,15 milhão de pessoas estavam nessas áreas em 2022; especialista defende crescimento urbano concentrado em regiões que já possuem infraestrutura
Manaus – Mais da metade da população de Manaus vivia em favelas e comunidades urbanas em 2022. Segundo estudo elaborado pelo especialista em urbanização José Henrique Lanna, 55,8% dos moradores da capital amazonense estavam nessas áreas, o equivalente a aproximadamente 1,15 milhão de pessoas.

Edição: Portal Amazon News
O levantamento relaciona esse cenário ao processo de expansão urbana registrado na capital ao longo das últimas décadas. Com o crescimento da cidade em direção a regiões mais afastadas, parte da população passou a morar distante de áreas que concentram empregos, escolas, unidades de saúde, comércio e outros serviços.
Esse modelo também amplia a demanda por transporte público e pela expansão de redes de saneamento, energia, drenagem e demais estruturas necessárias para atender novos bairros e comunidades.
Para Lanna, o planejamento urbano precisa priorizar não apenas a construção de novas moradias, mas também a localização desses empreendimentos e a infraestrutura disponível no entorno.
“Manaus tem um problema que precisa ser discutido para além do mercado imobiliário. A cidade está colocando muita gente onde faltam infraestrutura e serviços, enquanto mantém áreas bem estruturadas com baixa ocupação. Precisamos inverter essa lógica e fazer a cidade crescer onde já existe cidade”, afirma.
Crescimento em áreas estruturadas
Uma das alternativas apresentadas pelo especialista é ampliar a ocupação planejada de regiões consolidadas, aproveitando áreas que já contam com infraestrutura urbana.
Nesse contexto, o estudo aborda uma proposta de requalificação da região da Ponta Negra. O planejamento prevê integrar moradias, comércio, escolas, hospitais, escritórios, espaços culturais e opções de lazer, buscando reduzir as distâncias percorridas diariamente pelos moradores.
A concentração de diferentes atividades em uma mesma região pode diminuir a necessidade de grandes deslocamentos entre casa, trabalho, escola e serviços. A proposta também busca ampliar o aproveitamento da infraestrutura já existente.
Expansão e meio ambiente
Outro ponto abordado pelo estudo é o impacto ambiental provocado pelo avanço da área urbana. Em Manaus, a expansão territorial pode aumentar a pressão sobre áreas de floresta, igarapés e regiões que ainda não possuem infraestrutura completa.
A avaliação apresentada no levantamento é de que o adensamento planejado de áreas já consolidadas pode reduzir a necessidade de ocupação de novos territórios, desde que acompanhado por investimentos em mobilidade, saneamento, serviços públicos e espaços de convivência.
Ponta Negra e mobilidade
O estudo também analisa a situação da Ponta Negra e aponta que os problemas de trânsito registrados na região não estariam relacionados exclusivamente ao crescimento residencial.
Segundo o levantamento, as principais vias da área também recebem veículos que utilizam a região como corredor de deslocamento entre diferentes pontos da capital. Nesse cenário, o especialista defende que o crescimento urbano seja acompanhado de medidas relacionadas ao transporte, à infraestrutura viária e à distribuição dos serviços.
“Não existe cidade sem pessoas, e não existe cidade completa sem densidade adequada. O que precisamos evitar é o crescimento desordenado, não o crescimento planejado. A questão é colocar mais cidade no lugar certo, com infraestrutura, transporte, serviços, espaços públicos e diversidade de moradores”, ressalta Lanna.

