O fungo encontrado na tarântula ganhou notoriedade popular após inspirar a série The Last of Us
Amazônia – Imagens raras registradas no interior da Floresta Amazônica chamaram a atenção de milhões de pessoas nas redes sociais nos últimos dias. O vídeo mostra uma tarântula-golias, considerada a maior aranha do mundo, completamente tomada por um fungo do gênero Cordyceps, fenômeno natural que ganhou notoriedade popular após inspirar a série The Last of Us.

Foto: Divulgação
O registro foi feito na Reserva Ducke, área de floresta localizada nas proximidades de Manaus, durante atividades de campo do curso intensivo Tropical Mycology Field Course.
A identificação do fungo Cordyceps caloceroides e da aranha (Theraphosa blondi) foi realizada pela estudante de Ciências Ambientais Lara Fritzsche, da Universidade de Copenhague, que participava da coleta científica ao lado de pesquisadores brasileiros e dinamarqueses.
As imagens foram captadas pelo pesquisador Elisandro Ricardo Drechsler-Santos, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), e já ultrapassaram 2,1 milhões de visualizações no Instagram.
No vídeo, é possível observar a tarântula, normalmente de coloração marrom-dourada, coberta por uma estrutura rígida de tom avermelhado, com extremidades alaranjadas, sinais claros da fase final da infecção fúngica.
Segundo Drechsler-Santos, nesse estágio o fungo já consumiu completamente os tecidos internos do animal e emerge externamente para iniciar seu processo reprodutivo, liberando esporos que podem contaminar outras aranhas da mesma espécie.
O pesquisador explica que esse tipo de interação faz parte do equilíbrio natural de ecossistemas altamente biodiversos, embora seja raro conseguir documentá-la.
Na série The Last of Us, o fungo é retratado como uma versão mutante capaz de infectar humanos e controlar seus comportamentos.
Na realidade, no entanto, os fungos do gênero Cordyceps atuam exclusivamente sobre invertebrados, especialmente artrópodes como formigas, besouros, lagartas, grilos e aranhas.
De acordo com estudos científicos, os esporos do fungo aderem ao exoesqueleto do hospedeiro, germinam e penetram o corpo por meio de enzimas e pressão mecânica.
A partir daí, o microrganismo se desenvolve internamente e libera substâncias que interferem no sistema nervoso, induzindo comportamentos específicos que favorecem sua própria reprodução.
Especialistas reforçam que, apesar da fama adquirida na cultura pop, não há qualquer evidência de que esses fungos representem risco para seres humanos.
Veja vídeo (Reprodução/Elisandro Ricardo Drechsler-Santos):

