Trégua entre EUA e Irã desmorona em menos de 24 horas e tensão volta a escalar

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Fechamento do Estreito de Ormuz e ataques no Líbano e no Golfo Pérsico indicam ruptura do acordo mediado pelo Paquistão

O acordo de cessar-fogo de 15 dias firmado entre Estados Unidos e Irã entrou em colapso poucas horas após entrar em vigor. Anunciada na terça-feira (7), a trégua já apresenta sinais claros de ruptura nesta quarta-feira (8), com a retomada de confrontos e o novo bloqueio do Estreito de Ormuz por parte de Teerã.

Foto: Divulgação

Considerada uma rota estratégica para o comércio global de petróleo, a passagem marítima chegou a ser reaberta temporariamente, mas foi novamente fechada sob a justificativa de violações estrangeiras. O acordo previa justamente a liberação da via em troca da interrupção de ataques ao território iraniano.

No campo militar, a escalada se intensificou em diferentes frentes. No Líbano, bombardeios atribuídos a Israel deixaram centenas de mortos e feridos. O governo iraniano sustenta que o território libanês fazia parte da trégua, enquanto autoridades israelenses e o ex-presidente Donald Trump negam qualquer compromisso envolvendo a suspensão de ataques ao grupo Hezbollah.

Já no Golfo Pérsico, Arábia Saudita e Kuwait acusam o Irã de lançar mísseis e drones mesmo após o início do acordo. Em resposta, Teerã afirma que ilhas sob sua jurisdição foram alvo de ofensivas.

O impasse também se estende ao campo diplomático. O plano de 10 pontos apresentado pelo Irã, base das negociações mediadas pelo Paquistão, apresenta divergências significativas entre as versões defendidas por Washington e Teerã. Entre os principais pontos de conflito estão o programa nuclear iraniano, o alcance geográfico da trégua, o controle do Estreito de Ormuz e a presença militar norte-americana na região.

Outro fator que agrava a crise são inconsistências nos documentos oficiais. A Associated Press identificou diferenças relevantes entre versões em persa e em inglês do plano iraniano. Enquanto o texto original menciona a aceitação do enriquecimento de urânio, essa informação não aparece nas cópias distribuídas a diplomatas ocidentais.

Apesar do cenário de escalada e das acusações mútuas de violação do acordo, uma nova rodada de negociações segue prevista para sexta-feira (10), em Islamabad, capital paquistanesa.

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