Confrontos na fronteira com o Afeganistão se intensificam; Rússia e China atuam para conter escalada
O governo do Paquistão anunciou nesta sexta-feira (27) que realizou bombardeios contra a capital afegã, Cabul, e declarou estar em “guerra aberta” com o regime talibã, em meio à mais grave crise bilateral desde o retorno do grupo islâmico ao poder, em 2021.

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Segundo o porta-voz do primeiro-ministro paquistanês para a imprensa estrangeira, Mosharraf Zaidi, as forças do país atingiram “alvos militares” em Cabul, Paktia e Kandahar durante contra-ataques realizados na madrugada. O principal porta-voz do Talibã, Zabihullah Mujahid, confirmou as ofensivas na capital, mas afirmou que não houve vítimas.
De acordo com Islamabad, os ataques resultaram na morte de 133 combatentes talibãs e deixaram mais de 200 feridos. O regime afegão, por sua vez, declarou ter conduzido “operações de retaliação” contra posições militares paquistanesas nas províncias de Kandahar e Helmand.
Os confrontos se intensificaram ao longo da chamada Linha Durand, fronteira que divide os dois países, após uma operação coordenada por Cabul. A ofensiva ocorreu cinco dias depois de incursões aéreas atribuídas ao Paquistão, elevando a tensão regional.
O ministro da Defesa paquistanês, Khawaja Asif, afirmou na rede social X que a paciência do país “se esgotou” e justificou a decisão alegando que o Talibã teria se tornado um “representante da Índia”. O governo paquistanês acusa reiteradamente o regime afegão de oferecer abrigo a grupos armados responsáveis por ataques nas regiões fronteiriças — alegação rejeitada por Cabul.
O Paquistão enfrenta um aumento da violência interna, especialmente em áreas próximas ao Afeganistão, cenário que se agravou desde a retomada do poder pelo Talibã em agosto de 2021.
Diante da escalada, a Rússia e a China intensificaram esforços diplomáticos para evitar um conflito de maiores proporções. O Ministério das Relações Exteriores russo pediu que ambos os países interrompam as hostilidades e retomem o diálogo. Em comunicado publicado no Telegram, a porta-voz Maria Zakharova instou as partes a resolverem as divergências por meios políticos e diplomáticos.
Após o início da guerra na Ucrânia, em 2022, Moscou ampliou sua aproximação com o governo afegão. Atualmente, a Rússia é o único país que reconhece oficialmente o regime talibã e deixou de classificá-lo como organização terrorista em abril de 2025.
Já a China informou que tem atuado “por meio de seus próprios canais” para aliviar as tensões e declarou estar “profundamente preocupada” com a situação. Pequim mantém interesses econômicos estratégicos na região, especialmente por meio do Corredor Econômico China-Paquistão (CPEC), e cobrou garantias de segurança para cidadãos e projetos chineses.
Desde 2021, o governo chinês também desenvolveu uma relação pragmática com Cabul, com foco em cooperação na área de segurança e proteção de investimentos.

