Presidentes participam de cúpula sobre inteligência artificial em Nova Déli
Índia – O presidente da França, Emmanuel Macron, solicitou uma reunião bilateral com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante a passagem de ambos por Nova Déli, na Índia, onde participarão de uma cúpula internacional sobre inteligência artificial. O encontro pode ocorrer entre quarta-feira (18) e domingo (22), período da visita oficial à capital indiana, mas ainda não foi confirmado formalmente.

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O pedido de reunião chegou ao Itamaraty por meio da Embaixada da França em Brasília. Na quinta-feira (12), a pasta informou a jornalistas que o governo brasileiro recebeu diversas solicitações de encontros bilaterais à margem do evento e que também encaminhou convites a outros chefes de Estado e de governo.
Lula e Macron viajam à Índia a convite do primeiro-ministro Narendra Modi para uma visita de Estado e para participar do fórum global dedicado à inteligência artificial. A conferência deve concentrar debates sobre regulamentação da tecnologia, soberania digital, segurança de dados e governança internacional do setor.
A expectativa é de que o encontro reúna líderes políticos, executivos de grandes empresas de tecnologia e representantes de organismos multilaterais, em meio à intensificação das discussões sobre a supervisão de plataformas digitais, a responsabilidade das big techs e os efeitos da IA na economia e na segurança internacional.
O possível encontro na Índia ocorre em meio a um momento decisivo nas negociações comerciais entre o Mercosul e a União Europeia. Em dezembro, após 26 anos de tratativas, foi assinado o acordo de livre-comércio entre os dois blocos, considerado o maior do gênero, abrangendo cerca de 722 milhões de consumidores e aproximadamente um quarto do Produto Interno Bruto global.
Para entrar em vigor, o tratado ainda depende de ratificação pelos parlamentos nacionais dos países envolvidos e pelo Parlamento Europeu. Na quarta-feira (21), o Parlamento Europeu aprovou o envio do texto ao Tribunal de Justiça da União Europeia para revisão jurídica, etapa que pode atrasar sua implementação.
O acordo enfrenta resistências, sobretudo na França, onde setores agrícolas e industriais pressionam o governo contra a ampliação do acesso de produtos sul-americanos ao mercado europeu. Macron tem defendido salvaguardas ambientais e garantias adicionais. Já Lula sustenta que o tratado é estratégico para os dois blocos e para o fortalecimento do multilateralismo e de um comércio internacional baseado em regras.

