Ministro anunciou uma reestruturação nas avaliações do Enem
Em visita a Manaus nesta quinta-feira (26), o ministro da Educação, Camilo Santana, detalhou os avanços da Estratégia Nacional de Escolas Conectadas (ENEF) e as metas para transformar a realidade pedagógica da região Norte até o final de 2026. O plano central é garantir que 100% das escolas brasileiras tenham internet, mas com um diferencial: o acesso deve chegar à sala de aula e não ficar restrito às áreas administrativas.

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“A gente quer que a conectividade, que os professores possam utilizar isso como ferramenta pedagógica no aprendizado. A gente tem aqui, inclusive, uma plataforma onde a gente acompanha o ENEF. O Brasil saiu de conectividade com fins pedagógicos — porque vocês viram aqui no Censo, com conectividade nós chegamos já a 94%. Nós saímos de 23% a média de conectividade com fins pedagógicos na região Norte em 2023 e chegamos, em dezembro de 2024, a 60,5%”, frisou o ministro da Educação.
Sobre o desempenho dos estudantes amazonenses no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), Camilo Santana anunciou uma reestruturação nas avaliações. A partir deste ano, o governo planeja que a prova do ENEM passe a valer como a avaliação oficial de qualidade do terceiro ano do Ensino Médio, simplificando o processo para o aluno que busca acesso ao SISU, PROUNI e FIES.
O ministro reconheceu que o estado enfrenta desafios específicos, como o chamado “Custo Amazonas”, que engloba dificuldades de transporte e infraestrutura. Segundo ele, o Ministério e o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) estão em diálogo com o Congresso Nacional para criar políticas públicas que compensem essas barreiras e igualem as oportunidades dos jovens do Norte com os das demais regiões do Brasil.
Embora o Norte ainda apresente os números mais baixos em comparação ao Sul (81%) e Nordeste (72%), o ministro destacou que o esforço logístico é a prioridade. Para vencer as barreiras geográficas, a estratégia combina o lançamento de cabos de fibra ótica nos leitos dos rios e o uso intensivo de internet via satélite para as escolas em áreas remotas.
Segundo Camilo, pela primeira vez em 24 anos, o FUST está sendo utilizado para conectar escolas. O recurso, oriundo principalmente do leilão do 5G, permite que o Ministério da Educação integre ações com as pastas de Comunicações e Minas e Energia, focando inclusive em colégios que ainda carecem de energia elétrica básica.
Dados nacionais
Censo Escolar mostra que a educação brasileira conquistou avanços significativos em 2025, com o maior percentual de estudantes em tempo integral em todas as etapas da educação básica, dos últimos quatro anos. De acordo com a pesquisa estatística, o percentual de matrículas presenciais em tempo integral cresceu 10,7 pontos percentuais (p.p) na rede pública de ensino durante o período de 2021 a 2025, passando de 15,1% para 25,8%. Com esse resultado, o Brasil atingiu a Meta 6 do Plano Nacional de Educação (PNE) 2014-2024, que prevê atender pelo menos 25% dos alunos da educação básica da rede pública em tempo integral. No ensino médio, o aumento também foi expressivo, passando de 16,7%, em 2022, para 26,8%, em 2025.
Os dados destacam o resultado do investimento de R$ 4 bilhões do Ministério da Educação (MEC) no Programa Escola em Tempo Integral, criado em 2023, para apoiar redes de ensino na expansão de matrículas em tempo integral (igual ou superior a 7 horas diárias ou 35 horas semanais) em todas as etapas e modalidades da educação básica.

