Crise climática na Amazônia ameaça equilíbrio ambiental do planeta

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Estudo aponta que períodos de “seca quente” podem chegar a 150 dias por ano e ameaçar a capacidade da floresta de absorver carbono

Cientistas alertam que a Amazônia pode estar se aproximando de um novo e perigoso regime climático, denominado clima hipertropical, caracterizado por temperaturas extremas e secas prolongadas. As mudanças representam uma ameaça direta ao equilíbrio ambiental da maior floresta tropical do planeta e ao sistema climático global.

Foto: Divulgação

Um estudo publicado na revista Nature, conduzido por pesquisadores da Universidade da Califórnia, em Berkeley, indica que a floresta amazônica passa por uma transformação sem precedentes, caminhando para condições climáticas semelhantes às registradas há cerca de 40 milhões de anos. Atualmente, episódios de chamada “seca quente” duram dias ou semanas, mas podem alcançar até 150 dias por ano nas próximas décadas, caso as emissões de gases de efeito estufa permaneçam elevadas.

De acordo com os cientistas, o clima hipertropical ocorre quando as temperaturas ultrapassam o percentil 99 dos registros históricos dos trópicos, combinado com uma queda acentuada da umidade do solo. Nessas circunstâncias, a mortalidade das árvores pode aumentar em até 55%, reduzindo drasticamente a capacidade da floresta de absorver dióxido de carbono e fazendo com que a Amazônia passe a atuar como emissora líquida de carbono.

Foto: Divulgação

O estudo aponta ainda que, quando a umidade do solo atinge níveis críticos, as árvores deixam de captar carbono ou sofrem falhas fisiológicas que levam à morte, comprometendo a estrutura da floresta e provocando alterações profundas na composição das espécies.

Eventos recentes reforçam o alerta científico. As secas severas registradas em 2023 e 2024, especialmente na Amazônia brasileira, indicam que esses fenômenos extremos estão se tornando mais frequentes. Projeções sugerem que, até o ano de 2100, episódios de seca quente podem ocorrer ao longo de todo o ano, inclusive durante o período tradicionalmente chuvoso.

Além da Amazônia, os pesquisadores alertam que o avanço do clima hipertropical pode atingir outras florestas tropicais da África e do Sudeste Asiático, ampliando os riscos ambientais em escala global.

Segundo o estudo, a redução das emissões de gases de efeito estufa, o combate ao desmatamento e o fortalecimento de políticas de adaptação climática são medidas urgentes para evitar que a floresta ultrapasse um ponto de não retorno.

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