Responsável por clássicos como “Vale Tudo” e “Dancin’ Days”, ele encerra carreira marcada por inovação e formação de novas gerações
O ator e diretor Dennis Carvalho morreu na madrugada deste sábado (28), aos 78 anos, no Hospital Copa Star, em Copacabana. A morte foi confirmada pela unidade hospitalar, que não detalhou a causa, em respeito à privacidade da família. O artista enfrentou um quadro grave de septicemia no final de 2022.

Foto: Divulgação
Com mais de 50 anos de carreira, Dennis foi um dos nomes mais influentes da televisão brasileira. Mesmo afastado da TV Globo desde 2022, ele dirigiu obras que marcaram a história da dramaturgia nacional, como “Dancin’ Days” (1978), “Vale Tudo” (1988) e, mais recentemente, o Show 60 Anos em 2025, comemorando os 60 anos da emissora e o centenário do Grupo Globo.
A carreira de Dennis começou na década de 1960 em emissoras como TV Paulista e TV Tupi, mas foi na Globo, a partir de 1975, que ele se destacou. Inicialmente escalado como ator para a primeira versão de “Roque Santeiro”, censurada pela ditadura, Dennis encontrou sua verdadeira vocação nos bastidores de “Locomotivas” (1977). Sob a mentoria de Daniel Filho, começou a dirigir cenas finais da trama, consolidando a trajetória de “diretor-ator”, rara na televisão.
Sua técnica de direção se caracterizava pelo realismo dinâmico e controle absoluto do set, popularizando o bordão “Silêncio!” para iniciar gravações. Dennis integrava iluminação, movimentação de câmera e direção de atores para privilegiar o texto, como visto em “Malu Mulher” (1979), que discutia o papel da mulher na sociedade com sensibilidade e estética cinematográfica.
O auge de sua carreira foi a parceria com o autor Gilberto Braga, com quem desenvolveu o que críticos chamam de “novela-crônica”, abordando corrupção, ética e ascensão social. Em “Vale Tudo”, Dennis imprimiu ritmo ágil que manteve o país atento à pergunta “Quem matou Odete Roitman?”. Em “Anos Rebeldes” (1992), retratou o período da ditadura e influenciou o movimento dos “caras-pintadas”.
Dennis também dirigiu sucessos mais recentes, como “Celebridade” (2003) e “Segundo Sol” (2018). Sua capacidade de adaptação às novas tecnologias — da fita magnética ao 4K — formou gerações de diretores que hoje ocupam cargos de liderança na dramaturgia brasileira. Reconhecido por rigor técnico e senso de humor, aliviava a tensão de gravações longas sem perder a excelência.
Com a morte de Dennis Carvalho, encerra-se um capítulo essencial da televisão brasileira. Ele foi um dos arquitetos da “fórmula Globo” de exportação de novelas, garantindo padrões internacionais de qualidade técnica. Como ator, sua última participação reforçou sua versatilidade, mas será como maestro por trás das câmeras que permanecerá na memória do público.
O velório e sepultamento ainda não tiveram detalhes divulgados, mas espera-se a presença de grandes nomes da cultura nacional.
Cronologia de sucessos na direção:
- 1978: Dancin’ Days (Codireção)
- 1988: Vale Tudo
- 1992: Anos Rebeldes
- 2003: Celebridade
- 2015: Babilônia
- 2018: Segundo Sol

