De acordo com o órgão, após ser domesticado, o retorno imediato à natureza ficou inviável
Após especulações, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), informou que o destino da onça ‘Golias’, será definido pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMbio). De acordo com o órgão, após ser domesticado, o retorno imediato à natureza ficou inviável.

Foto: Divulgação
De acordo com um vídeo publicado na última quinta-feira (20) pelo ativista ambiental Mauro Gomes, o Ibama teria enviado o animal para um zoológico em Brasília e não para Santa Catarina, como haviam informado. O ativista afirma que há uma briga entre zoológicos pela tutela do animal para servir de entretenimento.
“Cadê o Golias? Soubemos que o IBAMA enviou o animal para um zoológico em Brasília e não para onde haviam dito que iria. Que falta de transparência é essa @ibamagov? Vão retirar um animal da região amazônica para exploração em zoológico? Por que informaram que iria para o Pomerode? Esse animal deve ir para algum santuário de vida silvestre’, disse o ativista”.
Em nota enviada pelo Ibama, no dia 16 de março, o órgão confirmou que o filhote de onça-pintado, não estava mais em Manaus e que seu destino final seria o zoológico de Pomerode, no estado de Santa Catarina.
“O filhote de onça-pintada resgatado no município de Santo Antônio do Içá, no Amazonas, foi transferido do Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas-AM), situado em Manaus, para outra unidade da Rede Cetas. Por questão de segurança do animal, não podemos informar a localidade. Informamos ainda que o animal encontra-se saudável e se desenvolvendo muito bem. A previsão é que, posteriormente, ele seja transferido para o zoológico de Pomerode, no estado de Santa Catarina”, diz a nota.
A denúncia do protetor de animais rapidamente ganhou repercussão nas redes sociais, com internautas expressando apoio à causa e criticando a decisão do Ibama.
“Não deixem o Golias virar atração de turista”, disse uma seguidora.
“IBAMA só serve pra tomar os bichinhos que estão sendo bem cuidados pelas pessoas. Esses eles veem, agora quando se trata de maus tratos aí são cegos”, disse outra.
“Jamais ir para um Zoo”, disse uma terceira.
Após as especulações, em nova nota, o Ibama informou na última sexta-feira (21), que o órgão realizou o acolhimento do animal, mas que a decisão sobre o destino deve ser realizada pelo ICMBio.
“Como essa onça-pintada foi criada como animal doméstico praticamente desde que nasceu, o retorno imediato à natureza ficou inviável. Se tivesse sido resgatado pelo Ibama ainda mais novo, a equipe poderia reabilitá-lo para devolução ao habitat, proporcionando condições para que desenvolvesse autonomia para sua própria sobrevivência”.
“Por esse motivo, o filhote será destinado a uma instituição que faça parte do programa de manejo populacional da onça-pintada para que o animal possa ingressar nas estratégias de conservação da espécie, em consonância com o Plano de Ação Nacional aprovado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Tão logo o animal esteja em condições, ele será transferido para o destino definido pelo ICMBio, contribuindo para a conservação ex situ da espécie”, diz a nota.
O Ibama explicou ainda que “o filhote de onça-pintada resgatado em Santo Antônio do Içá (AM) encontra-se saudável e se desenvolvendo bem, por meio de reabilitação em um Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) do Ibama. O recinto que o abriga foi ambientado e regularmente são realizadas atividades de enriquecimento para proporcionar espaço e ambiente adequado, além de estimular os comportamentos e habilidades naturais da espécie. Os Cetas mantêm uma dieta específica considerando a espécie e idade de cada espécime”.
O órgão reforçou que, sempre que um animal silvestre for encontrado em situação vulnerável, seja entregue, quanto antes, às autoridades ambientais, para que ele possa ser acolhido, verificadas suas condições de saúde e, se possível, logo solto na natureza. Se necessário, ele passará por processo de reabilitação para o retorno posterior ao habitat.