Apontado como líder do CV ostentava influência sobre agentes públicos e usava igreja como esconderijo, diz polícia

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Investigação da Polícia Civil indica que grupo movimentou mais de R$ 73 milhões em sete anos e mantinha ramificações em órgãos públicos

Manaus – A Polícia Civil do Amazonas divulgou detalhes da operação “Erga Omnes”, que investiga uma organização criminosa ligada ao Comando Vermelho no estado. No centro das apurações está Allan Kleber Bezerra Lima, apontado como uma das lideranças da facção no Amazonas.

Foto: Montagem Amazon News / Divulgação

Segundo a investigação, o grupo teria movimentado R$ 73.151.169,00 entre 2018 e 2025, por meio de empresas de fachada, especialmente nos setores de transporte e logística. A estrutura criminosa envolveria tráfico internacional de drogas, lavagem de dinheiro e tentativa de infiltração em órgãos públicos.

As apurações, coordenadas pelo 24º Distrito Integrado de Polícia, indicam que Allan utilizava uma igreja evangélica localizada no bairro Zumbi, na zona Leste de Manaus, como parte de uma estratégia descrita pela polícia como “camuflagem social”. Conforme os investigadores, o local teria sido usado para ocultação de drogas e como ponto de apoio logístico. Outro alvo da operação também residiria em uma instituição religiosa.

Mensagens extraídas de aparelhos celulares apreendidos indicariam que o investigado afirmava ter influência em diferentes esferas do poder público, alegando manter pagamentos a agentes para evitar ações contra o grupo.

Foto: Divulgação

A ofensiva ganhou força após uma apreensão realizada em 6 de agosto de 2025, quando policiais militares interceptaram a transferência de entorpecentes de duas embarcações para um veículo no centro da capital. Na ocasião, foram apreendidos 523 tabletes de maconha tipo skunk, sete fuzis de uso restrito, duas lanchas e um veículo utilizado no transporte da droga. Um suspeito foi preso em flagrante.

O aprofundamento das investigações levou à identificação de uma empresa registrada em nome de Antônia Fabiane Silva Pinho, esposa de Allan Kleber, que teria sido utilizada para movimentação de recursos ilícitos. Transferências bancárias via Pix indicariam pagamentos relacionados à logística do tráfico.

Outro ponto considerado sensível pela Polícia Civil é a suspeita de infiltração da organização criminosa na administração pública. Entre os nomes citados está Anabela Cardoso de Freitas, apontada como responsável por movimentações financeiras superiores a R$ 1,3 milhão relacionadas a investigados.

Foto: Divulgação

Também é citado Izaldir Moreno Barros, servidor do Tribunal de Justiça do Amazonas, suspeito de repassar informações sigilosas de processos em segredo de Justiça ao grupo criminoso.

A Polícia Civil afirma que as investigações seguem em andamento e que o material apreendido continuará sendo analisado para aprofundar a identificação de possíveis envolvidos e conexões institucionais.

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