Ex-presidente do Paraguai, Santiago Peña é preso após impeachment aprovado pelo Senado

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Destituição recebeu 44 votos favoráveis e ocorreu após crise envolvendo o Ueno Bank, que bloqueou depósitos de quase 3 milhões de clientes; ex-presidente ficará em prisão domiciliar

Paraguai – O ex-presidente do Paraguai, Santiago Peña, foi detido na noite desta sexta-feira (6), poucas horas após o Senado aprovar seu impeachment por 44 votos favoráveis. A destituição ocorreu em meio a uma crise política e financeira provocada pelo colapso do Ueno Bank, instituição bancária que teve milhões de contas bloqueadas e passou a ser investigada por suspeitas de irregularidades.

Foto: Divulgação

A prisão foi determinada pelo Ministério Público paraguaio, que investiga possíveis crimes relacionados à administração de recursos financeiros e à atuação de autoridades públicas. Agentes da Polícia Nacional compareceram à residência do ex-presidente, em Assunção, para cumprir a ordem. Peña deverá permanecer em prisão domiciliar enquanto as investigações avançam.

A decisão foi tomada após o Senado concluir o julgamento político que responsabilizou o então presidente por mau desempenho de suas funções. Com a perda do mandato, Peña deixou de contar com as prerrogativas vinculadas ao cargo, permitindo o avanço das medidas judiciais.

Escândalo bancário provocou crise política

A crise teve início após o Banco Central do Paraguai intervir no Ueno Bank, instituição que enfrentava problemas de solvência e suspeitas de irregularidades financeiras. A medida resultou no bloqueio temporário de depósitos de aproximadamente 3 milhões de clientes, provocando dificuldades para correntistas e manifestações em diferentes regiões do país.

As investigações também envolvem questionamentos sobre a relação entre o governo paraguaio e o grupo empresarial ligado ao banco. Peña havia mantido participação acionária no grupo controlador da instituição, mas afirma ter vendido suas ações em março de 2025.

Entre as suspeitas examinadas pelas autoridades estão possíveis conflitos de interesse, favorecimento regulatório, utilização irregular de recursos públicos e movimentações envolvendo fundos previdenciários.

O ex-presidente nega ter cometido irregularidades.

Senado rejeitou pedido de prazo adicional para defesa

Antes da votação que resultou em sua destituição, a defesa de Santiago Peña solicitou mais 72 horas para apresentar argumentos no processo de impeachment. O pedido foi rejeitado pelos parlamentares.

Na quinta-feira (5), Peña também havia apresentado uma carta de renúncia, alegando a necessidade de preservar a estabilidade institucional do Paraguai. Entretanto, o Congresso não aceitou formalmente o pedido e deu continuidade ao julgamento político.

Na sexta-feira, os 44 senadores presentes votaram favoravelmente à destituição do presidente, encerrando seu mandato.

Com a saída de Peña, o então vice-presidente Pedro Alliana assumiu a Presidência da República, com previsão de concluir o mandato até agosto de 2028.

Protestos e bloqueio de depósitos aumentaram pressão sobre governo

A crise financeira provocou manifestações na capital paraguaia, Assunção, onde correntistas e outros cidadãos cobraram explicações sobre o destino dos recursos depositados no Ueno Bank.

Na noite de quinta-feira, manifestantes voltaram às ruas para exigir responsabilização dos envolvidos e a liberação dos valores bloqueados. Durante os protestos, também foram registrados confrontos e danos a uma unidade bancária.

Parte dos clientes começou a recuperar o acesso aos depósitos, enquanto autoridades financeiras adotaram medidas para proteger os correntistas e evitar que a crise atingisse outras instituições.

O Banco Central paraguaio sustenta que os problemas estão concentrados no Ueno Bank e que o restante do sistema financeiro permanece estável.

Investigações continuam após prisão do ex-presidente

A ordem de detenção de Santiago Peña foi expedida por quatro integrantes do Ministério Público responsáveis pela apuração de possíveis crimes econômicos e financeiros.

Além do ex-presidente, as investigações alcançam dirigentes da instituição bancária e autoridades que participaram de decisões relacionadas à fiscalização do setor financeiro.

O ex-presidente do Banco Central do Paraguai, Carlos Carvallo, também foi alvo de ordem de detenção no âmbito das investigações.

As autoridades buscam esclarecer a destinação de recursos públicos, a atuação dos responsáveis pela supervisão bancária e as circunstâncias que levaram à crise financeira.

A prisão de Peña não representa condenação criminal definitiva. O ex-presidente permanece sujeito às investigações e aos procedimentos previstos na legislação paraguaia.

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