Dilma Rousseff terá indenização mensal de R$ 17,5 mil e R$ 6,6 milhões em retroativos

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Ministério dos Direitos Humanos formalizou reparação à ex-presidente após decisão judicial que reconheceu prejuízos profissionais decorrentes de perseguição política durante o regime militar

A ex-presidente da República Dilma Rousseff terá direito a uma reparação econômica mensal de R$ 17.562,80, de caráter permanente e continuado, em razão da perseguição política sofrida durante a ditadura militar brasileira. A medida foi formalizada pelo Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania em portaria publicada nesta terça-feira (27).

Foto: Divulgação

Além do pagamento mensal, o ato reconhece R$ 6.616.492,19 em valores retroativos, calculados a partir de 21 de outubro de 1997. Desse montante deverão ser descontadas quantias eventualmente já recebidas pela ex-presidente, conforme os critérios de atualização estabelecidos pela Justiça.

A medida atende a uma decisão definitiva do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), que determinou a concessão da reparação em prestações mensais, considerando os prejuízos profissionais provocados pela perseguição política.

Portaria estabelece pagamento mensal de R$ 17,5 mil

A Portaria nº 2.931, assinada pela ministra Janine Mello em 21 de outubro, foi publicada no Diário Oficial da União nesta terça-feira (27).

O documento formaliza o cumprimento da decisão judicial que reconheceu o direito de Dilma Rousseff à reparação econômica continuada.

Em dezembro de 2025, o TRF-1 determinou que a União efetuasse o pagamento mensal, em substituição à indenização em parcela única anteriormente estabelecida.

O entendimento judicial considerou a perda do vínculo profissional da ex-presidente com a antiga Fundação de Economia e Estatística (FEE), do Rio Grande do Sul, instituição na qual trabalhou durante a década de 1970.

Segundo as informações apresentadas no processo, o afastamento ocorreu em 1977, por motivação política.

O valor de R$ 17.562,80 foi definido com base na média salarial correspondente ao plano de cargos da instituição.

Indenização anterior era de R$ 100 mil

Antes da decisão judicial que estabeleceu os pagamentos mensais, Dilma Rousseff havia sido contemplada com uma reparação econômica de R$ 100 mil, prevista para pagamento em parcela única.

O valor constava de uma portaria publicada em agosto de 2025, após o reconhecimento da condição de anistiada política pela Comissão de Anistia.

Com a nova determinação judicial, o modelo de reparação foi alterado para prestação mensal permanente e continuada.

A mudança também prevê o reconhecimento de valores retroativos superiores a R$ 6,6 milhões, sujeitos aos descontos e ajustes definidos judicialmente.

Dilma foi presa durante a ditadura militar

Dilma Rousseff foi presa em 1970, aos 22 anos, durante o regime militar brasileiro, por sua participação em organizações de resistência à ditadura.

Sua trajetória naquele período incluiu a atuação em movimentos de oposição ao governo militar, em um contexto marcado por perseguições políticas, prisões e violações de direitos humanos.

Décadas depois, o reconhecimento de sua condição de anistiada política passou a fundamentar o processo de reparação econômica pelos prejuízos decorrentes da perseguição sofrida.

No caso analisado pela Justiça, a perda do vínculo de trabalho com a Fundação de Economia e Estatística foi considerada para definir a modalidade e o valor da indenização.

Pagamento dos valores ainda não tem data informada

Apesar da publicação da portaria, as informações divulgadas não estabelecem quando começarão os depósitos mensais nem o pagamento dos valores retroativos.

O montante de R$ 6.616.492,19 também não representa necessariamente a quantia líquida que será recebida pela ex-presidente, uma vez que estão previstos descontos de valores anteriormente pagos.

A reparação foi formalizada em cumprimento à decisão judicial, dentro dos mecanismos legais de reconhecimento e compensação de prejuízos sofridos por pessoas perseguidas por motivos políticos durante a ditadura militar.

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