Estudantes de escolas públicas do Amazonas chegam à semifinal de prêmio nacional de tecnologia

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Alunos de Manaus e Barcelos desenvolveram três projetos voltados à qualidade da água e ao uso de tecnologias acessíveis; finalistas do Solve for Tomorrow Brasil serão anunciados na sexta-feira (16)

MANAUS (AM) – Estudantes de escolas públicas do Amazonas conquistaram três vagas entre os 30 semifinalistas da 13ª edição do Solve for Tomorrow Brasil, programa nacional que incentiva o desenvolvimento de soluções científicas e tecnológicas para problemas enfrentados pelas comunidades. Os projetos foram elaborados por alunos de Manaus e Barcelos, no interior do estado, com foco na qualidade da água, no aproveitamento de recursos naturais e na utilização de tecnologias de baixo custo.

Edição: Portal Amazon News

As iniciativas amazonenses concorrem a uma das dez vagas da etapa final da competição, cujos classificados serão anunciados na sexta-feira (16). A programação também prevê a abertura da votação pelo Júri Popular em 23 de novembro e a divulgação dos vencedores por categoria em 8 de dezembro.

O Solve for Tomorrow Brasil é uma iniciativa de cidadania corporativa da Samsung, coordenada pelo Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec). O programa estimula estudantes e professores da rede pública a desenvolverem projetos utilizando a abordagem STEM, que integra Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática.

Alunas de Manaus desenvolvem equipamento para analisar qualidade da água

Na Escola Estadual Belarmino Marreiro, em Manaus, quatro estudantes desenvolveram o projeto “Estufa Microbiológica de Baixo Custo: Uma Abordagem STEM para a Análise da Água”, destinado ao monitoramento da qualidade da água consumida no ambiente escolar.

A iniciativa surgiu após questionamentos das alunas sobre as condições da água disponibilizada nos bebedouros da escola. Durante as pesquisas, elas identificaram a necessidade de manter amostras em temperaturas controladas para possibilitar o cultivo e a análise de microrganismos em placas de Petri.

Como alternativa, as estudantes projetaram uma estufa microbiológica de baixo custo, utilizando conhecimentos de programação, eletrônica e construção de equipamentos.

O trabalho é orientado pela professora Suzely da Silva Nobre, com a colaboração da professora Andreza Silveira da Rocha, responsável por auxiliar nas etapas de coleta e análise das amostras.

As quatro integrantes dividiram as atividades entre programação em linguagem C++, montagem elétrica, construção física do equipamento e planejamento das etapas do projeto.

Além do protótipo, a equipe pretende produzir um e-book com orientações para que outras instituições de ensino possam reproduzir o equipamento.

Segundo a professora Suzely, a experiência também contribuiu para ampliar a participação feminina em atividades relacionadas à engenharia, robótica e tecnologia.

“É um grupo de quatro meninas desmistificando o estereótipo de que engenharia, robótica e tecnologia são para meninos. Elas assumiram essa liderança, fizeram a parte elétrica, trabalharam com programação e construíram a estufa”, destacou a orientadora.

Estudantes de Barcelos criam filtro com caroço de açaí e piaçava

Outro projeto semifinalista foi desenvolvido por estudantes da Escola Estadual Angelina Palheta Mendes, no município de Barcelos.

Denominada “Biofiltro de Torneira com Biochar de Açaí e Piaçava para Comunidades Amazônicas”, a proposta consiste na criação de um sistema de filtragem utilizando materiais de baixo custo encontrados na própria região.

O equipamento utiliza piaçava, areia e biochar produzido a partir do caroço de açaí, material obtido por meio de um processo de transformação térmica de resíduos orgânicos.

A professora Francielly Alves Lourenço, responsável pela orientação do grupo, explicou que a ideia surgiu durante uma aula sobre o ciclo da água, quando os estudantes passaram a discutir as condições de abastecimento na comunidade.

De acordo com a educadora, a água utilizada em algumas residências apresenta alterações de cheiro, coloração e transparência, o que motivou os alunos a buscar uma alternativa acessível de filtragem.

A proposta considera as dificuldades de acesso a equipamentos comerciais em determinadas localidades do interior amazonense e prioriza o aproveitamento de recursos disponíveis regionalmente.

Projeto utiliza robótica para captar e distribuir água da chuva

A terceira iniciativa selecionada é da Escola Estadual de Tempo Integral (EETI) Gilberto Mestrinho de Medeiros Raposo, em Manaus.

O projeto “Captação, Análise e Distribuição de Águas Pluviais com Robótica” prevê a construção de uma estação automatizada para coletar, filtrar e distribuir água da chuva.

O sistema utiliza sensores ultrassônicos e microcontroladores Arduino para acompanhar o volume de água armazenado nos reservatórios e controlar o acionamento de bombas responsáveis pela distribuição.

A tecnologia foi desenvolvida com o objetivo de oferecer uma alternativa de baixo custo para o aproveitamento de água da chuva em atividades que não exigem água potável, especialmente em comunidades periféricas.

A proposta combina conhecimentos de robótica, automação e sustentabilidade, buscando contribuir para o uso mais eficiente dos recursos hídricos.

Finalistas serão conhecidos na sexta-feira

Os três projetos amazonenses estão entre as 30 iniciativas semifinalistas selecionadas na 13ª edição do Solve for Tomorrow Brasil.

Na próxima sexta-feira (16), serão anunciados os dez projetos classificados para a etapa final da competição nacional.

A votação do Júri Popular está prevista para começar em 23 de novembro, enquanto o anúncio dos vencedores por categoria ocorrerá em 8 de dezembro.

A participação dos estudantes do Amazonas reúne propostas relacionadas a desafios enfrentados por comunidades da região, como o acesso à água de qualidade, o aproveitamento da água da chuva e a utilização de materiais locais no desenvolvimento de tecnologias acessíveis.

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