Sob forte fumaça, Manaus enfrenta pior índice de qualidade do ar do ano

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Monitoramento da UEA registrou concentração de 490,1 µg/m³ de partículas finas durante a madrugada; incêndio no Distrito Industrial 2 e queimadas no interior do Amazonas estão entre os fatores associados à fumaça

Manaus amanheceu nesta quinta-feira (8) novamente encoberta por uma camada de fumaça, enquanto os índices de poluição atmosférica atingiram o maior nível registrado em 2026. Dados do Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (SELVA), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), apontaram concentração de 490,1 microgramas por metro cúbico (µg/m³) de partículas finas (PM2,5) em um dos pontos de monitoramento da capital durante a madrugada.

Edição: Portal Amazon News

O resultado representa o pior registro do ano até o momento e ocorre em meio a incêndios urbanos e queimadas em municípios do interior do Amazonas. A presença de fumaça tem provocado preocupação com os possíveis impactos à saúde, principalmente entre pessoas com doenças respiratórias, crianças e idosos.

Manaus registra concentração elevada de partículas finas

De acordo com o SELVA, o índice de 490,1 µg/m³ superou em aproximadamente 71% o maior registro anterior de 2026, que havia sido de 286,2 µg/m³, em setembro.

Na classificação adotada pelo sistema, concentrações superiores a 125 µg/m³ são consideradas de qualidade do ar “péssima”. Durante a madrugada desta quinta-feira, outros pontos de monitoramento também apresentaram índices elevados, com registros de 485,1 µg/m³, 393,1 µg/m³, 354,3 µg/m³ e 341,4 µg/m³.

Edição: Portal Amazon News

Os valores correspondem a medições específicas e não representam necessariamente a média da qualidade do ar em toda a cidade, uma vez que a concentração de poluentes pode variar conforme a localização, a intensidade das emissões e as condições meteorológicas.

Na noite de quarta-feira (7), a Prefeitura de Manaus informou que o monitoramento municipal havia identificado concentração média de 114,6 µg/m³ de partículas finas, classificada como “muito ruim”.

Segundo a administração municipal, a fumaça estava relacionada principalmente às queimadas registradas no interior do estado, especialmente nos municípios de Itacoatiara, Careiro da Várzea, Manaquiri e Autazes.

Incêndio no Distrito Industrial 2 contribui para emissão de fumaça

Além das queimadas no interior, um incêndio de grandes proporções atingiu uma área utilizada para descarte de resíduos no Distrito Industrial 2, na zona Leste de Manaus.

O fogo começou por volta das 15h de terça-feira (6) e continuou mobilizando equipes de combate durante a quarta-feira (7). Conforme informações divulgadas sobre a ocorrência, as chamas atingiram uma área superior a 15 mil metros quadrados.

A presença de materiais descartados no terreno contribuiu para a formação de fumaça na região. Entretanto, ainda não existem informações técnicas suficientes para determinar a participação exata desse incêndio nos índices de poluição registrados em diferentes pontos da capital.

O cenário também está relacionado às queimadas no Amazonas. Segundo informações divulgadas pela Prefeitura de Manaus, dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) apontaram 749 focos de calor no estado na quarta-feira (7), sendo dois identificados na capital.

Os focos de calor são detectados por satélites e indicam possíveis ocorrências de fogo, não correspondendo necessariamente ao número de incêndios confirmados.

Ipaam multa responsável por área atingida pelo incêndio em R$ 5,5 milhões

O Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) aplicou multa de R$ 5,555 milhões à responsável pela área atingida pelo incêndio no Distrito Industrial 2, após identificar irregularidades ambientais no local.

Durante a fiscalização, os agentes encontraram pneus, plásticos e resíduos de óleo e tinta armazenados no terreno.

Segundo o órgão ambiental, a licença emitida em abril autorizava o recebimento de resíduos inertes provenientes da construção civil. No entanto, os materiais encontrados durante a vistoria não estavam contemplados na autorização concedida.

A penalidade foi aplicada em razão das irregularidades identificadas pela fiscalização. A extensão dos possíveis danos ambientais ainda depende de avaliações técnicas, e não há confirmação, nas informações disponíveis, sobre a causa do incêndio.

Fumaça representa riscos à saúde da população

A elevada concentração de partículas finas no ar pode provocar problemas respiratórios e agravar doenças preexistentes. Entre os sintomas associados à exposição à fumaça estão irritação nos olhos, tosse, dor de garganta, coriza, dor de cabeça e dificuldade para respirar.

As partículas PM2,5 possuem dimensões reduzidas e conseguem penetrar profundamente no sistema respiratório, podendo atingir regiões internas dos pulmões.

A exposição também está associada ao agravamento de doenças cardiovasculares, especialmente entre pessoas que apresentam condições de saúde preexistentes.

Crianças, idosos, gestantes e pacientes com asma, bronquite e outras doenças respiratórias integram os grupos que exigem maior atenção durante períodos de poluição elevada.

Diante do cenário, a Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) recomenda reduzir a exposição à fumaça, evitar atividades físicas ao ar livre nos períodos de maior concentração de poluentes e manter a hidratação.

Também é recomendado manter portas e janelas fechadas quando houver fumaça intensa nas proximidades. Caso seja necessário permanecer em ambientes externos, máscaras do tipo N95 ou PFF2, quando corretamente ajustadas, podem ajudar a reduzir a inalação de partículas finas.

Pessoas que apresentarem sintomas respiratórios leves devem procurar atendimento em uma Unidade Básica de Saúde (UBS). Em situações de falta de ar intensa ou outros sinais de gravidade, a orientação é buscar atendimento de urgência. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) pode ser acionado pelo telefone 192.

Qualidade do ar segue sob monitoramento em Manaus

A presença de fumaça na capital amazonense está associada a diferentes fontes de emissão de poluentes, incluindo incêndios em áreas urbanas e queimadas registradas em municípios do interior.

A intensidade da poluição também pode ser influenciada pela direção dos ventos, pela umidade e por outras condições atmosféricas que favorecem o transporte ou a concentração de partículas sobre a cidade.

O acompanhamento realizado pelos sistemas de monitoramento ambiental permite identificar alterações na qualidade do ar e orientar medidas de proteção à população.

Até que novas avaliações técnicas sejam concluídas, não é possível atribuir toda a fumaça que encobre Manaus a uma única ocorrência, nem determinar integralmente os impactos ambientais do incêndio registrado no Distrito Industrial 2.

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