Presidente norte-americano citou ações na Venezuela, comparou cartéis ao Estado Islâmico e aumentou a pressão sobre o México durante discurso na ONU
NOVA YORK (EUA) – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira (22), durante a 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, que o país poderá recorrer ao seu poder militar para proteger interesses considerados estratégicos no Hemisfério Ocidental.

Edição: Portal Amazon News
Trump declarou que Washington não permitirá que ameaças aos Estados Unidos ganhem espaço na região e afirmou que, caso considere necessário, poderá empregar a força militar norte-americana para proteger interesses nacionais.
A declaração reforça a postura adotada pelo governo Trump em relação à América Latina e ao Caribe, principalmente no combate aos cartéis de drogas e na política direcionada à Venezuela, Cuba e México.
Venezuela é citada como exemplo
Durante o discurso, Trump destacou as recentes ações dos Estados Unidos na Venezuela, incluindo a operação que resultou na captura de Nicolás Maduro em janeiro de 2026.
O presidente norte-americano apresentou a atuação no país como exemplo da disposição de Washington de agir contra aquilo que seu governo classifica como ameaças no Hemisfério Ocidental.
Apesar do tom do discurso, Trump não anunciou uma nova operação militar imediata contra outro país latino-americano nem especificou quais territórios poderiam ser alvo de futuras ações.
Trump compara cartéis ao Estado Islâmico
Outro ponto do discurso foi o combate ao narcotráfico. Trump voltou a classificar organizações criminosas ligadas ao tráfico de drogas como organizações terroristas e comparou os cartéis ao Estado Islâmico.
Segundo o presidente, as Forças Armadas dos Estados Unidos estão sendo empregadas em ações contra organizações classificadas por Washington como ameaças à segurança nacional.
O governo Trump vem ampliando a utilização de instrumentos militares e de segurança no combate ao narcotráfico, política que também provoca questionamentos sobre os limites da atuação norte-americana fora de seu território.
México entra no discurso
Trump também direcionou críticas aos cartéis que atuam no México e cobrou ações mais duras contra organizações criminosas que controlam áreas do país.
O governo mexicano, por outro lado, tem defendido a cooperação com Washington no enfrentamento ao crime organizado, mas rejeita operações militares norte-americanas em território mexicano sem autorização.
Lula defende soberania da América Latina
O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva também discursou nesta terça-feira na Assembleia Geral e defendeu a soberania dos países latino-americanos diante de pressões externas.
Ao abordar a relação da região com grandes potências, Lula afirmou que “o Brasil não cabe no quintal de ninguém”.
O presidente brasileiro também criticou interferências estrangeiras em processos políticos e defendeu que os países da América Latina e do Caribe tenham sua soberania e autodeterminação respeitadas.
As declarações dos dois presidentes ocorreram no mesmo dia na Assembleia Geral e evidenciaram posições distintas sobre o papel dos Estados Unidos e o uso do poder militar no Hemisfério Ocidental.

