Guerrilheiros das Farc avançam no Brasil e ameaçam indígenas no Amazonas

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DPU pede medidas urgentes de segurança em comunidades da Terra Indígena

Manaus – A presença de homens armados identificados em relatos como integrantes de dissidências das antigas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), tem provocado medo entre comunidades indígenas da Terra Indígena Alto Rio Negro, no Amazonas. Os casos foram relatados em diferentes pontos da região de fronteira com a Colômbia e levaram a Defensoria Pública da União (DPU) a pedir ao governo federal medidas urgentes para proteger os moradores. O Ministério Público Federal (MPF) também instaurou um inquérito civil para investigar a presença de grupos armados estrangeiros em território brasileiro.

Alto Rio Negro, na fronteira com a Colômbia; MPF também abriu investigação

Foto: Divulgação

Segundo os relatos recebidos pela DPU, os homens estariam circulando por comunidades próximas aos rios Castanho, Tiquié e Uaupés, portando armas e fazendo ameaças. Em alguns casos, indígenas teriam sido impedidos de chegar aos próprios roçados, utilizados para a produção de alimentos. Uma liderança da comunidade Cunurí, no rio Uaupés, também teria sido levada pelos estrangeiros para atuar como guia durante deslocamentos pela floresta.

A situação foi relatada nas comunidades de São Felipe, Morro do Beija-Flor e Cachoeira Comprida, na região do Alto Tiquié e Baixo Uaupés. Outro episódio teria ocorrido a mais de 100 quilômetros dali, na comunidade Santo Baltazar da Cachoeira Andorinha. Conforme a DPU, moradores relataram a presença de estrangeiros armados e a abertura de uma estrada e de uma pista de pouso clandestina dentro da terra indígena. Para a Defensoria, caso as estruturas sejam confirmadas, elas podem indicar uma presença organizada e não apenas a passagem ocasional de criminosos.

A Terra Indígena Alto Rio Negro abriga 23 povos indígenas e fica em uma área estratégica da fronteira amazônica. A preocupação das autoridades aumenta porque os locais citados nos relatos ficam próximos de áreas associadas à presença de indígenas isolados. A DPU solicitou patrulhamento dos rios Tiquié e Uaupés, instalação de pontos de fiscalização, bloqueio de acessos terrestres e investigação sobre a entrada de estrangeiros armados na região.

A movimentação também está relacionada à expansão de rotas do tráfico de drogas na Amazônia. Dissidências das Farc passaram a utilizar rios da região para transportar maconha de variedades mais potentes, como skunk e creepy, em articulação com facções criminosas brasileiras. Entre os grupos apontados como envolvidos nesse cenário estão o Comando Vermelho e a Frente Carolina Ramírez, ligada ao Estado Maior Central, uma das organizações dissidentes das antigas Farc.

Embora as Farc tenham encerrado oficialmente sua atuação como grupo armado após o acordo de paz firmado com o governo colombiano, em 2016, dissidências permaneceram ativas na Colômbia. Na Amazônia, esses grupos passaram a atuar em atividades criminosas que atravessam a fronteira, especialmente o tráfico de drogas, o garimpo e a exploração ilegal de recursos.

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