Projeções indicam que o rio poderá alcançar cotas semelhantes às registradas em anos de estiagem extrema, caso o comportamento climático dos próximos meses siga o padrão observado em 2023
MANAUS – O Rio Negro, em Manaus, poderá registrar uma das secas mais severas de sua história durante a vazante de 2026. O alerta foi divulgado pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB), que aponta semelhanças entre o comportamento hidrológico observado neste início de período de estiagem e o cenário registrado em 2023, quando a capital amazonense enfrentou uma das maiores secas já documentadas.

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De acordo com os dados do Porto de Manaus, nesta terça-feira (30), o Rio Negro apresenta cota de 28,50 metros, permanecendo em situação de estabilidade, sem registro de enchente e com vazante recente de 1 centímetro.
Com base na série histórica de medições realizadas entre 1903 e 2025, o SGB elaborou projeções estatísticas para estimar os níveis mínimos que poderão ser atingidos ao longo da vazante deste ano. No cenário de descida mediana histórica, o rio poderá chegar à cota de 17,42 metros. Já em uma tendência linear de recessão, o nível pode alcançar 16,49 metros.
Os cenários mais críticos apontam para cotas ainda menores. Considerando um comportamento semelhante ao registrado em 2015, o Rio Negro poderá atingir 14,76 metros. Em uma estiagem severa, correspondente ao percentil de 85% da série histórica, a projeção indica 13,96 metros. No pior cenário já registrado, a cota mínima poderia chegar a 12,90 metros.
Para ampliar a precisão das previsões, o Serviço Geológico informou que passará a utilizar novas ferramentas tecnológicas durante o ciclo operacional de 2026. Entre as novidades estão os boletins semanais do Sistema de Alerta de Riscos Hidrológicos (SARDIM), desenvolvidos em parceria com o Instituto de Pesquisas Hidráulicas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (IPH/UFRGS), além da implementação de modelos preditivos baseados em Inteligência Artificial em cooperação com a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).
Segundo o diagnóstico hidrológico do órgão, a Bacia Amazônica atravessa um período de transição entre o encerramento da cheia e o início da vazante. O Rio Solimões já apresenta redução gradual das cotas em Tabatinga, embora parte da calha principal ainda permaneça acima dos níveis de inundação e de alerta.
Em Manaus, o Rio Negro estabilizou-se próximo da cota de inundação, enquanto as chuvas registradas na bacia do Rio Branco contribuíram para reduzir o ritmo de descida das águas naquela região. Já as bacias dos rios Madeira e Acre continuam sendo consideradas as mais vulneráveis, com reflexos das cheias registradas no primeiro trimestre do ano.
O SGB ressalta que o comportamento inicial da vazante de 2026 apresenta características semelhantes às observadas em 2023, quando o Rio Negro atingiu a marca histórica de 12,70 metros. Apesar da comparação, o órgão destaca que ainda não é possível afirmar que a estiagem repetirá a mesma intensidade, uma vez que a evolução do cenário dependerá das condições climáticas dos próximos meses.
Caso o início do período chuvoso sofra atraso, a tendência é de prolongamento da vazante, o que poderá provocar impactos na navegação, dificultar o abastecimento de comunidades ribeirinhas e elevar o risco de queimadas em diversas áreas da Amazônia. O monitoramento continuará sendo realizado de forma permanente ao longo do segundo semestre.

