Estudo da Repórteres Sem Fronteiras alerta para deterioração global, inclusive em democracias
A liberdade de imprensa no mundo alcançou seu pior nível em 25 anos, segundo relatório divulgado pela Repórteres Sem Fronteiras. O levantamento revela uma queda contínua nos indicadores globais, evidenciando um cenário cada vez mais desafiador para o exercício do jornalismo.

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De acordo com a entidade, a pontuação média global nunca foi tão baixa desde o início da série histórica, refletindo uma deterioração persistente nas condições de trabalho da imprensa. O diretor da organização para a América Latina, Artur Romeu, afirmou que a tendência negativa é constante e aponta para um ambiente crescente de dificuldades para jornalistas.
O estudo destaca que a redução da liberdade de imprensa não se limita a regimes autoritários. Países democráticos também registram retrocessos, com aumento de hostilidade, disseminação de desinformação e ataques diretos a profissionais da mídia. A retórica que classifica a imprensa como inimiga pública tem se expandido, contribuindo para um clima mais adverso à atividade jornalística.
Apesar do cenário global desfavorável, o Brasil aparece como uma exceção positiva no relatório, apresentando melhora no ranking desde 2022. Ainda assim, a avaliação geral permanece preocupante.
A organização ressalta que a liberdade de imprensa é um pilar fundamental não apenas para jornalistas, mas para toda a sociedade, que depende de informações confiáveis para a tomada de decisões.
Entre os principais fatores que explicam o declínio estão crises políticas, violência contra jornalistas e ausência de políticas públicas eficazes de proteção. Como resposta, a RSF recomenda que governos adotem medidas concretas para garantir um ambiente seguro e plural, incluindo regulamentação de plataformas digitais e fortalecimento de mecanismos de proteção ao jornalismo.

