Jovem investigada por mortes em Seul teria atraído vítimas em encontros; caso levanta debate sobre atração por criminosos
Uma jovem de cerca de 20 anos, identificada apenas pelo sobrenome Kim, é investigada sob suspeita de dopar homens durante encontros e provocar a morte de dois deles em Seul, na Coreia do Sul. O caso ganhou grande repercussão no país asiático e passou a mobilizar discussões nas redes sociais, onde a suspeita passou a receber mensagens de apoio após a suposta divulgação de sua identidade.

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De acordo com as autoridades, a jovem foi encaminhada à promotoria em 19 de fevereiro, sob acusações de homicídio, lesão corporal grave e violação da legislação de controle de narcóticos. Ela é apontada como responsável por oferecer medicamentos para ressaca misturados com substâncias ilícitas a três homens em um motel no distrito de Gangbuk, entre dezembro e 9 de fevereiro. Dois deles morreram e um terceiro sobreviveu.
A polícia decidiu não tornar públicas as informações pessoais da investigada, alegando que o caso não atendia aos critérios legais para divulgação. Ainda assim, uma publicação em uma comunidade online passou a circular com foto, nome e idade atribuídos à suspeita, o que teria provocado uma rápida mobilização de internautas em seus perfis em redes sociais.
Em poucas horas, o número de seguidores da jovem aumentou significativamente, e centenas de comentários foram deixados em postagens antigas. Parte das mensagens defendia sua inocência ou pedia redução de eventual pena, muitas delas baseadas exclusivamente em sua aparência.
Especialistas ouvidos pela imprensa local classificam a reação como um possível caso de hibristofilia — termo usado na psicologia para descrever a atração por indivíduos que cometeram crimes violentos. O fenômeno já foi observado em episódios envolvendo criminosos de grande repercussão, como o caso de Francisco de Assis Pereira, conhecido como Maníaco do Parque.
Segundo a investigação, o primeiro episódio ocorreu em 14 de dezembro do ano passado, quando a suspeita teria oferecido uma bebida adulterada a um homem em um estacionamento na cidade de Namyangju. A vítima perdeu a consciência e acordou dois dias depois.
Posteriormente, outros dois encontros teriam ocorrido em um motel em Seul, nos dias 28 de janeiro e 9 de fevereiro. De acordo com a polícia, o padrão teria sido repetido: ingestão de bebida alcoólica seguida da oferta de remédio para ressaca misturado com droga. As duas vítimas morreram no dia seguinte.
Em depoimento, conforme noticiado pela imprensa local, a investigada teria afirmado que tinha conhecimento dos riscos associados ao uso das substâncias. A polícia avalia que o conteúdo do interrogatório pode indicar premeditação.
As autoridades continuam analisando o telefone celular da suspeita e apuram a motivação do crime. Exames complementares também devem ser realizados para avaliar seu estado psicológico. O caso segue sob investigação.

