Operação Negócio Turvo, da Polícia Civil, desarticulou grupo suspeito de aplicar golpe de pirâmide financeira contra servidores públicos
A Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) desarticulou, nesta terça-feira (24), um esquema de pirâmide financeira que teria causado prejuízo estimado em R$ 75 milhões. A ação, batizada de Operação Negócio Turvo, resultou na prisão de oito pessoas e na identificação de três foragidos, entre eles um homem que se apresenta como “pastor” nas redes sociais e uma mulher que atualmente vive no exterior.

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Entre os procurados está Anderson Ricardo Lima dos Santos, conhecido como “Anderson Bandeira”. Com mais de 14 mil seguidores nas redes sociais e o lema “Eu vi o futuro e decidi viver nele”, ele se apresenta como líder religioso e chegou a ser anunciado como pré-candidato a deputado estadual em evento do Partido Liberal no Amazonas. Segundo as investigações, ele integra o núcleo de liderança da organização criminosa.

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Outra foragida é Emanuelle Rosa Ramos dos Santos, apontada como integrante do núcleo operacional do grupo. De acordo com a polícia, ela estaria vivendo na Inglaterra, onde publica vídeos exibindo rotina de viagens, passeios e momentos de lazer em cidades como Manchester e Sheffield. Diante da permanência no exterior, as autoridades informaram que medidas internacionais estão sendo adotadas, com possível acionamento da Interpol para viabilizar a captura.

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Como funcionava o esquema
Conforme o delegado Leonardo Marinho, titular do 25º Distrito Integrado de Polícia (DIP), o grupo atuava de forma interestadual e tinha como principal alvo servidores públicos. Utilizando dados obtidos em portais da transparência, os investigados identificavam pessoas com margem para empréstimos consignados.
As vítimas eram convencidas a contrair empréstimos de alto valor e transferir os recursos para a empresa investigada, sob a promessa de que as parcelas seriam quitadas pela organização, além do pagamento de um lucro adicional. Inicialmente, os pagamentos eram realizados para gerar credibilidade e atrair novos investidores. Com o tempo, os repasses eram interrompidos, deixando os contratantes responsáveis por dívidas elevadas junto às instituições financeiras — característica típica de pirâmide financeira.
Segundo a polícia, parte dos investigados já teria atuado em empresas envolvidas em golpes semelhantes. Apenas na lista de um dos consultores identificados, cerca de 100 vítimas foram mapeadas, com prejuízo aproximado de R$ 3 milhões.
Bens apreendidos e prisões
Durante a operação, foram cumpridos 12 mandados de busca e apreensão em bairros de Manaus e também no estado do Rio de Janeiro, com apoio da Polícia Civil do Rio de Janeiro. Ao todo, cerca de 30 veículos foram apreendidos, além de arma de fogo, munições, notebooks e documentos.
Os investigados devem responder por estelionato, lavagem de dinheiro, sonegação fiscal, falsidade ideológica, falsificação de documentos e organização criminosa.
A PC-AM orienta que possíveis vítimas do esquema procurem as delegacias para formalizar denúncia e contribuir com o andamento das investigações. Informações sobre os foragidos podem ser repassadas de forma anônima pelos canais oficiais da corporação.

Foto: Divulgação / PC-AM

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