Novos arquivos revelam menções ao Brasil em investigações sobre o esquema sexual
EUA – Milhões de páginas de e-mails e documentos ligados ao financista americano Jeffrey Epstein, condenado por crimes sexuais, foram divulgadas nas últimas semanas pelo governo dos Estados Unidos. O material lança nova luz sobre a rede de relações pessoais, políticas e financeiras mantidas pelo bilionário, além de indicar possíveis novos crimes e conexões internacionais — inclusive com o Brasil.

Foto: Divulgação
Epstein morreu em 2019, enquanto aguardava julgamento, mas seu nome continua no centro de um dos maiores escândalos de exploração sexual das últimas décadas.
Quem foi Jeffrey Epstein
Jeffrey Epstein nasceu em Nova York e construiu sua fortuna no mercado financeiro, apesar de não ter concluído o ensino superior. Ele chegou a trabalhar como professor de matemática em uma escola de elite de Manhattan, a Dalton School, de onde foi demitido após acusações de comportamento inadequado.
A partir da década de 1970, Epstein passou a atuar no setor financeiro, trabalhou no banco Bear Stearns e, posteriormente, fundou a própria empresa de investimentos, a J. Epstein & Co. Com isso, acumulou uma rede de contatos poderosa entre políticos, empresários, artistas e membros de famílias reais.
Em 2019, seu patrimônio era estimado em cerca de US$ 560 milhões (aproximadamente R$ 3 bilhões).
Quais crimes Epstein cometeu
Epstein foi acusado de liderar um esquema de exploração e tráfico sexual de meninas e jovens mulheres, com atuação em propriedades nos Estados Unidos e em sua ilha particular no Caribe, a Little St. James.
As investigações começaram em 2005, após a denúncia de abuso sexual de uma adolescente de 14 anos na Flórida. Em 2008, Epstein se declarou culpado por exploração sexual e facilitação da prostituição de menores, firmando um acordo que resultou em uma pena considerada branda: 13 meses de prisão.
Em 2019, esse acordo foi considerado ilegal pela Justiça, e Epstein foi novamente preso. Um mês depois, foi encontrado morto em sua cela. A versão oficial aponta suicídio.
O que dizem os novos documentos
Os arquivos divulgados recentemente incluem milhões de e-mails, registros financeiros e depoimentos. Eles mostram que Epstein manteve contato com figuras públicas de grande relevância mundial, como:
- Donald Trump, presidente dos EUA;
- Bill e Hillary Clinton;
- Elon Musk, empresário;
- Bill Gates, fundador da Microsoft;
- Príncipe Andrew, do Reino Unido.
Em muitos casos, os documentos mostram trocas de mensagens, convites, viagens e encontros. É importante destacar que nem todas as pessoas citadas são acusadas de crimes, e várias negam envolvimento ilegal.
Epstein e figuras políticas e empresariais
Os arquivos trazem denúncias não comprovadas envolvendo Donald Trump, além de registros da amizade entre os dois nos anos 1990 e 2000. Trump nega qualquer irregularidade.
Bill Clinton aparece em fotos e registros de viagens, enquanto Bill Gates admitiu arrependimento pela proximidade com Epstein, mesmo após a condenação do financista em 2008.

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Já Elon Musk aparece em e-mails nos quais demonstra interesse em visitar a ilha de Epstein, embora não haja confirmação de que a visita tenha ocorrido.
Ligação com famílias reais
Epstein mantinha relação próxima com o ex-príncipe britânico Andrew, que já foi acusado formalmente por uma das vítimas do esquema. O escândalo levou à perda de títulos e funções públicas do membro da família real britânica.
Documentos também citam contatos com integrantes de famílias reais da Noruega e da Arábia Saudita, com mensagens de teor considerado inapropriado.
O que envolve o Brasil
Os documentos revelam que Epstein demonstrava interesse explícito em mulheres brasileiras e chegou a mencionar a intenção de investir em agências de modelos, revistas de moda e concursos de beleza no Brasil.
Ao menos duas brasileiras são citadas como vítimas diretas, incluindo Marina Lacerda, que denunciou ter sido traficada e abusada em 2002. Outras mensagens indicam que dezenas de brasileiras podem ter sido exploradas, muitas delas imigrantes.
Há também registros de envio de dinheiro, pedidos de fotos, convites para viagens internacionais e tentativas de intermediação de mulheres brasileiras para encontros com Epstein.
O caso levou o Ministério Público Federal (MPF) a abrir apuração sobre possíveis crimes de tráfico internacional de pessoas envolvendo brasileiras, incluindo menções a uma jovem do Rio Grande do Norte.
As investigações continuam
Apesar da morte de Epstein, as investigações não foram encerradas. Sua ex-companheira Ghislaine Maxwell foi condenada a 20 anos de prisão por participação no esquema.
Autoridades americanas seguem analisando os documentos e investigando possíveis crimes cometidos por outros envolvidos.
A divulgação dos arquivos reacende o debate sobre impunidade, abuso de poder e exploração sexual, além de expor como redes de influência podem ter protegido crimes por décadas.
Vídeo: reprodução / Brasil Paralelo

