Organização Mundial de Saúde estima aumento de até 83% da incidência no Brasil até 2050
Manaus – O câncer, uma das doenças mais prevalentes do nosso tempo, segue como um dos principais desafios da sociedade médico-científica. Segundo a Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer (Iarc), da Organização Mundial da Saúde (OMS), a cada ano, surgem cerca de 20 milhões de novos casos no mundo, com aproximadamente 9,7 a 10 milhões de mortes associadas à doença. Apesar dos avanços significativos no tratamento, especialistas alertam que uma parcela expressiva desses diagnósticos poderia ser evitada.

Foto: Divulgação
Uma pesquisa divulgada em 2024 pela Sociedade Americana do Câncer revela que aproximadamente 40% dos casos de câncer em pessoas com 30 anos ou mais e quase metade das mortes relacionadas à doença estão associadas a fatores de risco evitáveis, como tabagismo, consumo excessivo de álcool, obesidade, sedentarismo e alimentação inadequada.

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Especialistas reforçam que mudanças no estilo de vida, aliadas à vacinação contra o HPV (papilomavírus) e a hepatite B, além da realização de exames preventivos, podem reduzir significativamente a incidência da doença.
Crescimento dos casos preocupa especialistas
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o número de novos casos de câncer vem crescendo de forma consistente no Brasil e no mundo. Projeções da entidade indicam que, até 2050, haverá um aumento de 77% no número de casos globalmente e de 83% no Brasil, em comparação com os dados de 2022.
De acordo com a médica oncologista, Abiqueila Silva, esse crescimento está diretamente relacionado a mudanças demográficas e comportamentais.
“O aumento dos casos de câncer está associado principalmente ao envelhecimento da população e à maior exposição aos fatores de risco modificáveis, como obesidade, sedentarismo, tabagismo, consumo de álcool e alimentação baseada em ultraprocessados”, explica.
Esses fatores ajudam a explicar, inclusive, o surgimento de diagnósticos em faixas etárias cada vez mais jovens. A exposição precoce e prolongada a hábitos não saudáveis têm antecipado o aparecimento da doença em adultos jovens, fenômeno que preocupa a comunidade científica.
Genética responde por minoria dos casos
Embora ainda exista a percepção de que o câncer seja predominantemente hereditário, essa ideia não encontra respaldo na ciência. Segundo a especialista, apenas uma pequena parcela dos casos está relacionada a mutações genéticas herdadas.
“A maioria dos cânceres não têm origem hereditária. As mutações genéticas transmitidas de pais para filhos respondem por uma minoria dos diagnósticos. Na maior parte das vezes, o câncer está ligado ao estilo de vida e ao ambiente”, elucida.
Como prevenir
Se a grande parte dos casos são por fatores evitáveis, a prevenção se apresenta como uma das estratégias mais eficazes no enfrentamento da doença, de acordo com a oncologista. Medidas simples, incorporadas ao dia a dia, podem reduzir de forma significativa o risco de desenvolvimento de diversos tipos de câncer.
“Parar de fumar, reduzir o consumo de bebidas alcoólicas, usar protetor solar, manter uma alimentação rica em fibras, frutas e vegetais, além de praticar atividade física regularmente, fazem diferença real na prevenção”, orienta a especialista.
Além disso, a realização de exames de rastreamento e o acesso ao diagnóstico precoce são fundamentais para aumentar as chances de cura. “O câncer não é mais uma sentença de morte. Quando diagnosticado precocemente e tratado de forma adequada, as chances de sucesso são muito maiores”, reforça.
A oncologista reforça que ampliar o debate público sobre o tema contribui para reduzir o estigma, estimular a adoção de hábitos preventivos e incentivar a busca por diagnóstico precoce.
“Falar sobre câncer salva vidas, porque existem estratégias de prevenção. O câncer tem tratamento e, em muitos casos, pode ter um desfecho favorável”, conclui.

