Candidata de direita venceu as eleições gerais com quase metade dos votos e deve garantir maioria no Congresso
A candidata de direita Laura Fernández foi eleita presidente da Costa Rica neste domingo (1º), ao obter quase metade dos votos válidos nas eleições gerais, evitando a realização de um segundo turno. Com 88,43% das urnas apuradas, Fernández superou a marca mínima de 40%, necessária para vencer ainda no primeiro turno.

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Ex-chefe de gabinete e aliada direta do presidente cessante Rodrigo Chávez, Fernández liderava as pesquisas de intenção de voto e fez campanha com a promessa de dar continuidade às políticas de segurança rigorosa, propostas de cunho populista e discurso anti-establishment adotados pelo atual governo. Embora a Constituição costarriquenha não permita reeleição consecutiva, a presidente eleita afirmou que pretende manter Chávez em seu futuro governo.
Em discurso após a confirmação da vitória, Fernández declarou que o país entra em uma nova fase política. “A mudança será profunda e irreversível”, afirmou, ao defender o que chamou de construção de uma “terceira república”, em referência ao período iniciado após a guerra civil de 1948.
Apoiadores se reuniram em diferentes pontos da capital San José, incluindo a Fonte da Hispanidade, tradicional local de celebrações políticas e esportivas. Com bandeiras e símbolos do partido, como jaguares de pelúcia, militantes comemoraram o resultado nas ruas.
O principal adversário de Fernández, o economista centrista Álvaro Ramos, obteve cerca de um terço dos votos, enquanto a arquiteta progressista e ex-primeira-dama Claudia Dobles ficou com menos de 5%. Em discurso de concessão, Ramos afirmou que apoiará o novo governo em decisões que beneficiem o país, mas fará oposição quando considerar necessário.
O Partido Soberano do Povo, legenda de Fernández, deve conquistar cerca de 30 das 57 cadeiras do Congresso, ampliando significativamente sua bancada em relação às oito cadeiras atuais. Apesar do avanço, o partido não alcançou a chamada supermaioria parlamentar.
Desde as primeiras horas do domingo, eleitores e observadores acompanharam a votação em diferentes regiões do país. Em Esparza, cidade natal de Fernández, na província de Puntarenas, as cores do partido da presidente eleita predominaram entre apoiadores.
Moradores relataram insatisfação com partidos tradicionais e apontaram o combate à corrupção e à má gestão como fatores decisivos para a mudança no voto.

